Lula preso, mercado feliz. Por Mauro Donato

Quando o juiz Sergio Moro assinou o ‘cumpra-se a pena’ tão logo o STF (Supremo Tribunal Federal) confirmou a mais que prevista rejeição ao pedido de habeas corpus de Lula, o ‘pregão’ já estava fechado. Passava das 18:00.

Mercado aberto, a notícia de que a prisão de Lula fora decretada fez bolsa subir (2%) e dólar cair (-1,3%). O mercado ‘reagiu bem’, economistas estão comemorando.

Por que? O que alijar Lula da corrida presidencial tem a ver com o alvoroço?

“Abre espaço para um candidato de centro ou reformista aparecer mais. O Lula, calado, com uma prisão nas costas, não pode subir mais em palanque e muito provavelmente não vai transferir sua popularidade. Ele não elege mais poste nenhum”, declarou Álvaro Bandeira, economista-chefe da Modalmais, o home broker do Banco Modal (home broker é um sistema de negociação de ações e outros ativos financeiros diretamente pela internet).

Explicado? Para o tal ‘mercado’, Lula fora da disputa facilita a vitória de algum candidato que avance com as reformas, um candidato alinhado com a agenda deles. Michel Temer foi colocado lá por esse pessoal, para implantar as reformas trabalhistas, a da previdência e todas as outras que arrancam nossa pele.

Precisando passar a maior parte do tempo se desviando de suas ligações com o porto de Santos, com malas de rodinhas de R$ 500 mil, com bunker de R$ 51 milhões, Temer perdeu cacife político para aprovar as reformas todas e foi um fiasco para a turma do pato amarelo. Nem todas as agendas evoluíram ao gosto dos patrões. E Lula, que vinha fazendo declarações mais aos moldes do PT de antigamente, deixou o tal ‘mercado’ ressabiado.

É irônico – e lamentável – que esse argumento, o mesmo utilizado por Mario Amato em 1989, quando o então presidente da Fiesp (sempre ela…) afirmou que 800 mil empresários sairiam do país caso Lula se tornasse presidente, ainda funcione.

Durante os dois mandatos de Lula no Palácio do Planalto, todos ganharam. Ricos e pobres. Nenhum paneleiro falava em corrupção. Mas agora as manchetes voltam a favorecer a especulação através do medo. E o mercado não vive de outra coisa que não seja especulação, ou vive?

Lula cometeu um erro brutal quando chamou Sergio Moro de ‘juizinho’ ou ‘juizeco de primeira instância’, não me lembro bem qual foi o adjetivo. Incutir o ódio em um juiz não é bom negócio. A não ser, talvez, para o mercado.

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