Lula promulga acordo Mercosul-UE após 26 anos de negociação

Atualizado em 28 de abril de 2026 às 23:50
 Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante assinatura do decreto de promulgação do Acordo de Comércio entre União Europeia e Mercosul (acordo Mercosul-UE), no Palácio do Planalto. Brasília - DF.
O presidente Lula, junto de parlamentares e ministros, em evento de assinatura do acordo Mercosul-UE. Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou nesta terça-feira (28) o decreto de promulgação do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. O tratado, negociado por mais de 26 anos, entra em vigor provisoriamente nesta sexta-feira (1º) e prevê a redução gradual de tarifas entre os dois blocos.

Durante a cerimônia no Palácio do Planalto, Lula afirmou que a assinatura parecia um gesto simples, mas encerrava uma disputa longa. “Esse acordo foi feito a ferro, suor e sangue, porque há muitos interesses que tentam impedir que o Brasil cresça e dispute espaço”, disse o presidente.

Na transmissão oficial do evento, Lula também afirmou que o Brasil não aceita tratamento subordinado nas negociações internacionais. O presidente disse que o país “não é republiqueta” e associou o acordo à capacidade brasileira de negociar em igualdade com outros blocos econômicos

Lula defendeu o pacto como resposta ao unilateralismo comercial. Ao citar Donald Trump, afirmou que as taxações adotadas pelo americano contra outros países reforçaram a importância do multilateralismo, da democracia e das relações cordiais entre nações.

residente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante assinatura do decreto de promulgação do Acordo de Comércio entre União Europeia e Mercosul, no Palácio do Planalto. Brasília - DF.
O presidente Lula, ao lado do vice-presidente Geraldo Alckimin, após assinar decreto que promulga acordo Mercosul-UE. Foto: Ricardo Stuckert/PR

O acordo cria uma área de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, com redução gradual de impostos, proteção a setores sensíveis e formação de um mercado integrado. Os dois blocos reúnem cerca de 720 milhões de pessoas e um PIB superior a US$ 22 trilhões.

O texto prevê queda de tarifas sobre produtos industriais, medicamentos, máquinas, equipamentos, veículos, autopeças, insumos químicos e alimentos como queijos, vinhos e chocolates. No caso de veículos, o Brasil poderá suspender a eliminação gradual de impostos por até três anos se houver dano à indústria nacional.

Pelas regras comerciais, a União Europeia eliminará tarifas sobre 95% dos bens vendidos pelo Mercosul em até 12 anos. O bloco sul-americano vai zerar tarifas sobre 91% dos bens europeus em até 15 anos.

Abaixo o evento de assinatura do decreto com o discurso do presidente Luís Inácio Lula da Silva:

Laura Jordão
Estudante de Sociologia e Política na Fundação Escola de Sociologia e Política e estagiária pelo Diário do Centro do Mundo. Adoro ciclismo, e busco estudar sobre mobilidade urbana e políticas públicas.