Lula propõe integração com EUA para prisões e combate ao crime organizado

Atualizado em 22 de fevereiro de 2026 às 7:43
Lula em entrevista coletiva em Nova Déli, na Índia – Sajjad Hussain/AFP

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que pretende ampliar a cooperação com os Estados Unidos para combater o crime organizado internacional, incluindo a possibilidade de realizar operações conjuntas da Polícia Federal brasileira (PF) em solo americano, caso haja autorização formal do governo de Donald Trump. A declaração foi feita durante entrevista na Índia, onde Lula participa de eventos diplomáticos e disse que não quer apenas “receber” criminosos, mas “prendê-los”.

Segundo o presidente, o governo brasileiro já compartilhou com as autoridades dos EUA nomes, fotos e documentos de brasileiros envolvidos em organizações criminosas que vivem no país, e essa troca de informações abriria caminho para ações coordenadas entre as agências policiais. Lula afirmou que o tema será pauta de uma reunião bilateral com Trump prevista para março.

Lula também relacionou a decisão à recente ação dos EUA na Venezuela, que resultou na prisão do ex-presidente Nicolás Maduro, sob a justificativa de combate ao narcotráfico. Essa operação norte-americana gerou preocupação no Brasil, por receios de instabilidade regional que poderia impactar a segurança interna do país.

O presidente enfatizou que sua proposta de cooperação com os EUA não se limita a prisões, mas inclui o fortalecimento do intercâmbio de inteligência, da atuação de adidos da PF em outros países e de convênios internacionais contra redes criminosas e o tráfico. “Nós precisamos colocar adidos da Polícia Federal nos países, precisamos fazer convênios para combater o crime organizado”, declarou ele.

Lula não detalhou oficialmente qual foi a resposta norte-americana ao seu pedido, mas a cooperação entre Brasil e EUA para combater organizações criminosas e o tráfico já vinha sendo discutida em conversas anteriores entre os dois líderes, com foco em troca de informações e apoio mútuo entre agências de investigação.

A iniciativa ocorre em um contexto de discussões bilaterais mais amplas sobre segurança e crime internacional, nas quais o Brasil tem buscado alinhamento com parceiros para enfrentar redes transnacionais de narcotráfico e lavagem de dinheiro que atuam tanto no país quanto no exterior.