Lula quer trocar chefes das Forças Armadas e nomear comandantes formados pós-ditadura

Atualizado em 28 de outubro de 2026 às 11:13
Lula ao lado dos comandantes das Forças Armadas. Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Lula (PT) avalia trocar os comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica em janeiro, em uma mudança que pode colocar pela primeira vez oficiais formados após o fim da ditadura militar à frente das três Forças. O general Tomás Paiva, atual chefe do Exército, é cotado para assumir o Gabinete de Segurança Institucional (GSI), segundo o jornal O Globo.

O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, também deve deixar o governo. Ele se reuniu com Lula e está decidido a sair da pasta, que assumiu poucos dias antes dos ataques golpistas de 8 de Janeiro contra as sedes dos Três Poderes, em 2023.

Paiva, o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Marcelo Kanitz Damasceno, e o chefe da Marinha, almirante Marcos Sampaio Olsen, já sinalizaram às tropas que pretendem deixar os cargos a partir de janeiro. Os três estão há quatro anos nos postos.

Os atuais comandantes concluíram sua formação militar durante o governo de João Figueiredo, último presidente da ditadura. Paiva tornou-se aspirante a oficial em 1981; Kanitz e Olsen, em 1982.

Lula e José Múcio durante desfile de 7 de Setembro em Brasília
Lula e o ministro da Defesa, José Múcio, no desfile de 7 de Setembro em Brasília. Foto: Reprodução

Militares cotados para os novos comandos

A tradição prevê que o ministro da Defesa apresente ao presidente os três oficiais mais antigos de cada Força para a sucessão. Lula, porém, não tem obrigação de seguir essa lista. A expectativa é de anúncio dos nomes ainda em outubro e de posse em janeiro.

No Exército, o general Francisco Montenegro Júnior, chefe do Estado-Maior, aparece entre os mais citados para substituir Paiva. Formado em 1986, Montenegro é próximo do atual comandante. Os generais Luciano Guilherme Pinheiro, Kleber de Vasconcelos e Hertz Pires do Nascimento são os três mais antigos do Alto Comando e se tornaram aspirantes em 1985.

Na Aeronáutica, os brigadeiros Walcyr de Castilho Araújo, chefe do Estado-Maior, e Ary Soares Mesquita, secretário de Economia, Finanças e Administração, são os nomes mais lembrados. Ambos concluíram a formação de oficiais em 1987.

Na Marinha, são cotados os almirantes Arthur Fernando Bettega, chefe do Estado-Maior da Armada, e Carlos Chagas Vianna Braga, comandante-geral dos Fuzileiros Navais.

Para o Ministério da Defesa, Múcio indicou a secretária-geral da pasta, Cinara Wagner Fredo, servidora pública de carreira que já trabalhou nos ministérios da Previdência, Fazenda e Cidadania. O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, também é cogitado.

Os atuais chefes militares comandaram as Forças durante as condenações de oficiais por participação na tentativa de golpe de Jair Bolsonaro, entre eles Walter Braga Netto, Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira.

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