Lula sanciona lei que homenageia vítimas da Covid e autor comemora: “Negacionismo mata”

Atualizado em 11 de maio de 2026 às 17:47
O deputado Pedro Uczai e o presidente Lula. Foto: Divulgação

O presidente Lula sancionou, nesta segunda (11), a lei que institui o dia 12 de março como o Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19. A medida foi proposta pelo deputado federal Pedro Uczai (PT-SC) e aprovado no Senado Federal no mês passado.

A sanção ocorreu durante cerimônia no Palácio do Planalto com críticas à gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, então mandatário durante a pandemia de Covid-19. O petista argumentou que o objetivo da medida é garantir que as vítimas “não caiam no esquecimento”.

Uczai comemorou a sanção do texto e afirmou que “lembrar é um exercício de resistência”. O deputado também explicou a escolha da data: foi o dia em que a diarista Rosana Aparecia Urbano, primeira vítima fatal do vírus, morreu.

Leia na íntegra:

Negacionismo mata. A memória salva!

Hoje é um dia de profunda reflexão para o Brasil. O presidente Lula sancionou a lei que institui o Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19. Sou o autor da Lei aprovada no Congresso Nacional. Acompanhei a sanção no gabinete do presidente Lula.

A partir de agora, todo dia 12 de março será um marco oficial para honrarmos as mais de 700 mil vidas perdidas e acolhermos a dor de milhões de famílias brasileiras. A data não foi escolhida ao acaso. Ela marca o dia em que o Brasil registrou sua primeira vítima fatal: a diarista Rosana Aparecida Urbano, que faleceu em 2020 na zona leste de São Paulo.

Rosana estava na linha de frente e personifica a tragédia que assolou o país — em apenas dois meses, sua família perdeu também o pai, a mãe e um irmão. Transformar essa dor em memória oficial é um ato de dignidade.

Não podemos falar de memória sem falar de responsabilidade. O Brasil, que detém cerca de 3% da população mundial, chegou a concentrar vergonhosos 11% das mortes globais por Covid-19.

Esse abismo estatístico tem nomes: negacionismo, desinformação e omissão. Enquanto o mundo corria atrás de vacinas, o governo de Jair Bolsonaro: desacreditou a ciência e a eficácia dos imunizantes; propagandou o uso de medicamentos sem comprovação científica; e sabotou medidas sanitárias essenciais de proteção.

Nossa proposta é para manter viva a memória das vítimas e, acima de tudo, é um ato político e humanitário. É um compromisso para que o Estado brasileiro nunca mais se omita diante de uma crise sanitária e para que a ciência seja sempre o norte das nossas políticas públicas.

Lembrar é um exercício de resistência. É garantir que o luto coletivo se transforme em luta por um sistema de saúde forte (SUS) e por governantes que respeitem a vida acima de tudo.

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.