Lula: “Se o PDT tivesse apoiado o PT, Bolsonaro não tinha vencido as eleições”

Lula em entrevista ao DCM e ao Tutaméia. Foto: Reprodução/YouTube

Publicado originalmente pelo GGN:

O ex-presidente Lula disse em entrevista ao jornal Diário do Grande ABC que a culpa de Jair Bolsonaro ter vencido a eleição presidencial de 2018 não foi do PT, mas do PSDB, que “definhou” na disputa e não chegou ao segundo turno – ao contrário do que vinha ocorrendo há 4 eleições consecutivas – e do PDT, que não apoiou Fernando Haddad na reta final.

“O Bolsonaro chegou à Presidência da República porque os tucanos definharam. Eles definharam. Se o PDT tivesse tomado a decisão de apoiar o PT, o Bolsonaro não tinha vencido as eleições. Eu não faço crítica porque cada um tom decisão que bem entende”, disse Lula. Após terminar a eleição em terceiro lugar, Ciro Gomes, o então candidato do PDT, deixou o Brasil rumo à Europa sem declarar apoio a Haddad.

Lula ainda disse que o PT tem condições de ter candidato próprio em 2022. “Ganhar ou não é questão da disputa. O PT tem condições de ganhar e construir aliança com setores de esquerda para ganhar as eleições e recuperar o direito deste País em exercer uma governança.”

Ao mesmo tempo, o ex-presidente afirmou que pode ou não ser o candidato do PT, e até apoiar um aliado de outro partido. “Se chegar ao dia de definir e eu perceber que sou a pessoa que tem condições de derrotar, não tenha dúvida que minha tesão política vai para 20 anos de idade. Eu posso ter essa mesma vontade de ajudar companheiros do meu partido. Ou alianças políticas. Temos quatro governadores do PT, temos o Flávio Dino, temos o Ciro Gomes, temos o Haddad, que foi extraordinário candidato. Temos muita gente. O Lula necessariamente não tem de ser candidato.”

“Antipetismo não existe”

Lula também repetiu na entrevista ao DGABC que não acredita em antipetismo como fator determinante para a derrota do PT.

“Esse negócio do antipetismo é fantástico. Historicamente você vai perceber que nunca ganhei uma eleição no primeiro turno. (…) Disputei três eleições tendo cerca de 30% dos votos. Não poderia mais disputar para ter 30%. Precisaria ser candidato para ter 50%. Fui procurar aliança com o Zé Alencar e construímos uma aliança que nos permitiu ganhar a eleição. Temos de construir isso para 2022. Não existe o antipetismo, antitucano, antiArena, antiCiro, antiLula. Não o existe isso. Precisamos saber quais os defeitos que temos para que a gente, durante o processo, possa corrigir para convencer o povo.”

Ainda segundo o ex-presidente, “esse tipo de gente que vota no Bolsonaro sempre existiu. O que o Bolsonaro deu para eles foi uma espécie de cidadania de colocar sua ignorância para fora sem ter vergonha. Essa gente tinha simpatia pela ditadura militar, pela tortura, não gostava do Bolsa Família, não gosta de negros, de tratar o aborto como questão de saúde pública. Essa gente existia, já foi Malufista, já foi Janista. Era antipetista. É antidemocrática.”

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