
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) iniciou uma articulação política em duas frentes para fortalecer sua candidatura à reeleição em 2026 e isolar o senador Flávio Bolsonaro (PL), apontado como provável adversário. A estratégia envolve tanto o afastamento de partidos do centrão da candidatura bolsonarista quanto a ampliação formal da aliança governista. As informações são da Folha de S. Paulo.
Um dos movimentos mais sensíveis em análise é a possibilidade de mudança na chapa presidencial, com a substituição do atual vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), por um nome do MDB. A avaliação no Planalto é que a entrada do partido garantiria mais tempo de televisão e reforçaria a narrativa de frente ampla, semelhante à adotada na eleição de 2022.
Lula tem defendido internamente a ampliação máxima do arco de alianças. Em discurso no aniversário de 46 anos do PT, afirmou que “temos que trabalhar, fazer alianças para ganhar as eleições” e reconheceu dificuldades em alguns estados, indicando que a prioridade é compor politicamente para assegurar a vitória. Articuladores petistas calculam que cerca de 10% do eleitorado ainda esteja em disputa.
A aproximação com o MDB, no entanto, enfrenta resistências internas e riscos políticos. Diretórios fortes do partido, como os de São Paulo e do Rio Grande do Sul, tendem a rejeitar a aliança, e há o temor de desgaste com Alckmin, que já sinalizou que apoiará Lula mesmo fora da chapa, mas sem disputar outro cargo. Ainda assim, Lula mantém diálogo com lideranças como Renan Calheiros (MDB-AL) e Eduardo Braga (MDB-AM).

Entre os nomes cotados para uma eventual vice pelo MDB estão o ministro dos Transportes, Renan Filho, o governador do Pará, Helder Barbalho, e a ministra do Planejamento, Simone Tebet. Paralelamente, Lula sinalizou publicamente apreço por Alckmin, dizendo que ele foi “uma dessas coisas que Deus fez acontecer” em sua trajetória política, gesto interpretado como tentativa de reduzir tensões.
Além do MDB, o presidente busca neutralizar partidos do centrão, como PP, União Brasil e Republicanos, para evitar apoio formal a Flávio Bolsonaro. Reuniões com lideranças como Ciro Nogueira (PP) e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), fazem parte do esforço para liberar alianças regionais e ampliar o isolamento político do campo bolsonarista na eleição presidencial.