
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terá uma agenda internacional decisiva no fim de 2026, com compromissos ligados à COP31, à Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), ao G20 e ao Mercosul. O governo pretende ampliar a presença do Brasil em fóruns multilaterais, enquanto administra divergências com os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Argentina, Javier Milei.
Em novembro, o Brasil deixará a presidência da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP, assumida após a realização do encontro em Belém. A Turquia sediará a COP31, na cidade de Antália, e a Austrália conduzirá as negociações climáticas.
Lula também deve encontrar Trump em ao menos dois compromissos internacionais: a cúpula da Asean, nas Filipinas, em novembro, e o G20, na Flórida, em dezembro. Os eventos podem abrir espaço para conversas entre os dois governos após a retomada de negociações sobre tarifas e barreiras comerciais.
A relação com Washington ganhou um novo fator de tensão depois que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado por Lula no segundo turno, deixou o Brasil, passou pela Argentina e seguiu para os Estados Unidos. O Tribunal Superior Eleitoral confirmou a vitória de Lula e afirmou que a votação ocorreu com segurança e transparência, enquanto Flávio contestou o resultado sem apresentar provas.

Relação com Trump inclui tarifas, segurança e presença de Flávio Bolsonaro nos EUA
O governo americano concedeu visto humanitário a Flávio Bolsonaro nesta quinta-feira (29), depois de autorizar sua entrada no país com a família. Os Estados Unidos informaram que o senador apresentou passaportes brasileiro comum e diplomático, embora os documentos tivessem sido cancelados pela Polícia Federal. Trump disse que não pretende se envolver nas alegações do parlamentar sobre a eleição brasileira.
Brasília e Washington retomaram conversas sobre o tarifaço após uma ligação entre Lula e Trump em 21 de agosto. Em 25 de setembro, representantes dos dois países se reuniram na Organização Mundial do Comércio para tratar das tarifas impostas pelos Estados Unidos.
Na segurança pública, o Brasil não recebeu convite para integrar o chamado Escudo das Américas, iniciativa de Trump, e não pretende aderir ao projeto. Integrantes do governo brasileiro avaliam que a proposta tem forte caráter ideológico, mas querem ampliar acordos de cooperação contra o tráfico internacional de drogas e o crime organizado com os Estados Unidos e países vizinhos.
A estratégia externa também prevê aumentar a presença brasileira na Ásia, com a busca por mercados além da China, que continua entre os principais destinos das exportações do país. Na América do Sul, o governo quer preservar os canais com a Argentina e a cooperação no Mercosul, embora condicione uma reaproximação presidencial a uma mudança de postura de Milei diante dos ataques pessoais contra Lula.