Lula vence nas urnas e é reeleito presidente do Brasil

Atualizado em 25 de outubro de 2026 às 21:06
Lula com eleitores. Foto: reprodução

Com 93,82% das urnas apuradas, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente do Brasil neste domingo (25), com 51,7% dos votos válidos, contra 48,3% de Flávio Bolsonaro (PL). A vitória garante ao petista mais quatro anos no Palácio do Planalto e um quarto mandato presidencial — depois dos dois governos entre 2003 e 2010 e do mandato iniciado em 2023.

Lula chegou ao segundo turno após ficar atrás de Flávio na primeira votação, quando o senador obteve 47,03%, contra 45,16% do presidente.

Eleitores do presidente chegaram à Avenida Paulista, em São Paulo, onde o petista comemorou a vitória no pleito de 2022 e pretende repetir o ato neste domingo (26). A movimentação começou logo após às 19h, quando as urnas foram fechadas por determinação do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), considerando as violações ao direito de voto em diversas cidades brasileiras.

Ao mesmo tempo, a Polícia Militar de São Paulo e Guarda Civil Metropolitana da capital, a mando do prefeito bolsonarista Ricardo Nunes (MDB), já iniciaram uma grande operação de segurança, isolando algumas áreas com apoio da cavalaria da Tropa de Choque, escudos e armas de bala de borracha.

A concentração de petistas acontece em frente ao Museu de Arte de São Paulo (MASP), fechando as faixas da avenida sentido Consolação.

Dia de caos

A confirmação da reeleição ocorreu ao fim de um dos dias de votação mais conturbados das últimas eleições brasileiras.

Temporais, alagamentos, interrupções no fornecimento de energia e problemas no transporte público dificultaram a chegada de eleitores às urnas em diversas regiões, enquanto denúncias de redução deliberada da frota de ônibus levaram a decisões emergenciais da Justiça Eleitoral. A votação, inicialmente prevista para terminar às 17h, acabou prorrogada nacionalmente até as 19h por determinação do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Um dos episódios mais graves ocorreu em Salvador, importante reduto eleitoral de Lula. Uma inspeção constatou que menos da metade da frota prevista estava circulando e encontrou centenas de ônibus nas garagens.

O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia determinou a retomada imediata de 100% da frota, com gratuidade, sob pena de multa de R$ 1 milhão por hora, e ordenou a prisão em flagrante do secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza. A prefeitura alegou que veículos haviam sido retidos para a retirada de adesivos com o número de Lula colocados por sindicalistas na véspera.

A campanha petista denunciou o episódio como uma tentativa de dificultar o acesso dos eleitores às urnas e pediu a ampliação do horário em Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas. Problemas de transporte também foram registrados ou denunciados em São Paulo e outras cidades. Na capital paulista, o PT afirmou que apenas 60% da frota estava em circulação e recorreu à Justiça.

Presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques reconheceu durante a tarde que havia dificuldades no transporte de eleitores. Inicialmente, afirmou que os pedidos de extensão seriam analisados “no tempo certo”. Às 16h07, determinou que o TRE da Bahia e a Procuradoria-Geral Eleitoral se manifestassem em até 30 minutos antes de decidir sobre a prorrogação em cidades baianas.

O caso chegou paralelamente ao STF. Cristiano Zanin considerou graves os relatos apresentados pela campanha de Lula e determinou que a votação fosse estendida por duas horas em todo o território nacional. “Diante da urgência evidente”, o ministro ordenou que o recebimento dos votos continuasse até as 19h.

A decisão foi tomada pouco depois do horário originalmente previsto para o fechamento das urnas e provocou uma situação inédita. Várias seções já haviam encerrado os trabalhos e emitido os boletins de urna, enquanto outras permaneceram abertas. O TSE chegou a suspender temporariamente a totalização e a divulgação dos resultados, que haviam começado com apenas 0,25% das seções contabilizadas.

Além dos problemas no transporte, o mau tempo atingiu diferentes regiões do país. Em Minas Gerais, 163 locais de votação ficaram sem energia elétrica após fortes chuvas, sendo 65 na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Rajadas de vento chegaram a aproximadamente 150 km/h no sul do estado.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 32 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.