Lulinha aciona STF para esclarecer quebra de sigilo

Atualizado em 27 de fevereiro de 2026 às 17:53
Lulinha, filho do presidente Lula

A defesa de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Lula, solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) esclarecimentos sobre a quebra de sigilo fiscal autorizada pela Polícia Federal e pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS.

O pedido ocorre em meio a investigações relacionadas a fraudes em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social. O advogado de Lulinha, Guilherme Suguimori, argumentou que a quebra de sigilo é “dispensável”, pois “não é necessário coagir quem desde o início demonstrou interesse inequívoco em contribuir” com as investigações.

A defesa reforçou que o filho do presidente está disposto a colaborar com as autoridades e fornecer os documentos solicitados para esclarecer os fatos. A Polícia Federal, que já quebrou o sigilo fiscal de Lulinha, tem cruzado informações bancárias entre ele e outros investigados, como o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, preso desde setembro de 2025, e a lobista Roberta Luchsinger.

O objetivo é apurar o fluxo financeiro entre as contas dos envolvidos no esquema de desvios de recursos da Previdência Social. A investigação aponta que Lulinha pode ter recebido uma mesada de R$ 300 mil relacionada ao esquema de fraudes, conforme documentos preliminares da Polícia Federal divulgados em dezembro de 2025.

No entanto, o filho do presidente nega qualquer envolvimento nas irregularidades. A quebra de sigilo, autorizada pelo ministro André Mendonça, também inclui a preservação dos e-mails do investigado, como parte das diligências para esclarecer o caso.

O ministro André Mendonça. Foto: Divulgação

O ministro Mendonça, relator da investigação no STF, tem conduzido o processo que apura fraudes no INSS e também acompanha o caso do Banco Master, suspeito de manipulação de títulos de créditos falsos.

A decisão sobre a quebra de sigilo de Lulinha foi tomada no momento em que o presidente Lula começou a se manifestar publicamente sobre a suspeita de envolvimento de seu filho nas fraudes no INSS. A CPMI investiga irregularidades nos pagamentos do INSS, incluindo fraudes e descontos indevidos.

A medida de quebra de sigilo visa facilitar o acesso a informações fiscais, financeiras e contratuais relacionadas aos investigados, como parte da fase de coleta de provas da comissão. Até o momento, não há acusação formal de crime contra Lulinha, que segue cooperando com as investigações.

Em sua nota à imprensa, a defesa de Lulinha reiterou sua disposição em colaborar com o STF e afirmou que a quebra de sigilo é desnecessária. A nota também destacou que o fornecimento de documentos e a prestação de esclarecimentos são ações essenciais para evitar a politização do nome do investigado e dissipar quaisquer suspeitas sobre sua conduta.

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 28 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.