Lulinha diz receber com “tranquilidade” quebra de sigilos: “Não é a 1ª vez que me usam contra meu pai”

Atualizado em 26 de fevereiro de 2026 às 17:50
Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha

O DCM apurou com amigos de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, que ele recebeu “com tranquilidade” a notícia da quebra de seus sigilos bancário, fiscal e telemático (mensagens e e-mails), aprovada na CPMI do INSS.

Marco Aurélio de Carvalho, coordenador do grupo Prerrogativas, diz que o Fábio já havia se colocado à disposição do STF através do advogado que constituiu, que é o doutor Guilherme Suguimori, para prestar esclarecimentos à Justiça.

“Não é a primeira vez que envolvem o meu nome com o objetivo de desgastar o meu pai, o governo dele, o PT, a mim mesmo, então isso não é novidade. O que eu quero saber é: cadê a chave da minha Ferrari de ouro, número um? Número dois: cadê a chave da porteira da fazenda onde eu crio milhares de cabeças de gado? E número três: cadê os dividendos da Friboi, porque eu era sócio da Friboi até ontem”, disse Lulinha.

“Ele está tirando com certo humor, o que demonstra serenidade e tranquilidade. Falou que não tem nada a temer e está reafirmando para o pai, para o governo, para parlamentares, para amigos, que não tem relação direta ou indireta com nenhum dos fatos que envolvem o INSS, que estão sendo investigados no bojo da CPMI do INSS”, afirma um amigo de Fábio Luís.

O esquema no INSS tinha muitos núcleos com atuações distintas e muitas entidades associativas e sindicatos envolvidos. A investigação levou à Operação Sem Desconto, realizada em abril de 2025.

As suspeitas contra Lulinha aparecem na parte relacionada ao lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, suspeito de ser um dos principais operadores de desvios de aposentadorias por meio de entidades de fachada.

Em dezembro, decisão do ministro do STF André Mendonça que autorizou a PF a deflagrar a quinta fase da Operação Sem Desconto registrou que foram identificados cinco pagamentos de R$ 300 mil, totalizando R$ 1,5 milhão, de uma empresa do Careca do INSS — a Brasília Consultoria Empresarial S/A — para a empresa RL Consultoria e Intermediações Ltda., que pertence a outra suspeita, Roberta Moreira Luchsinger. Um mês depois, Mendonça autorizou a quebra dos sigilos de Lulinha.

Roberta é amiga de Lulinha e mantinha relações pessoais e de negócios com o Careca e outras pessoas ligadas a ele. A empresária nega irregularidades.

Em uma mensagem trocada entre o Careca e um de seus sócios, também investigado, o lobista diz que um dos repasses de R$ 300 mil para a empresa de Roberta seria para “o filho do rapaz”. A decisão de Mendonça não esclarece quem seria essa pessoa. A suspeita é que seja Lulinha.

Também consta da decisão de Mendonça de dezembro que a PF encontrou um diálogo entre Roberta e o Careca.

Nessa conversa, Roberta afirma que “acharam um envelope com o nome do nosso amigo no dia da busca e apreensão”, em referência a uma fase anterior da Operação Sem Desconto. Segundo a PF, o Careca do INSS respondeu com preocupação: “Putz”.

Na sequência, Roberta enviou mensagem dizendo ao Careca do INSS: “Antônio, some com esses telefones. Joga fora”.

Kiko Nogueira
Diretor do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.