“Lulinha não se escondeu atrás de uma loja de chocolates”, diz advogado de Fábio Luís

Atualizado em 17 de março de 2026 às 18:18
O empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como “Lulinha”. Reprodução

Na CPMI do INSS, Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), conhecido como Lulinha, foi mencionado em investigações sobre fraudes bilionárias no INSS, acusado de manter relações com o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, e de receber mesadas de cerca de R$ 300 mil mensais ou transferências financeiras vinculadas a ele, além de ter viajado com o empresário. Essas suspeitas geraram pedidos de quebra de sigilos bancário e fiscal, embora não haja denúncia formal ou provas que comprovem sua participação no esquema.

Em entrevista ao DCM, o advogado Marco Aurélio de Carvalho, responsável pela defesa de Lulinha, negou categoricamente qualquer relação financeira entre ele e Antunes.

Segundo o defensor, a quebra de sigilo, cujo conteúdo acabou vazado para a imprensa, comprova que “jamais houve qualquer transação financeira” entre os dois.

De acordo com Carvalho, seu cliente está integralmente à disposição do Supremo Tribunal Federal, inclusive para prestar esclarecimentos de forma presencial. Em despacho com o ministro André Mendonça, o advogado assegurou total disponibilidade para novas diligências, incluindo eventual depoimento em Brasília.

O advogado, também conhecido por sua atuação como coordenador do Grupo Prerrogativas, destacou a postura de seu cliente e de seu pai, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante as investigações, traçando um paralelo com o comportamento de Flávio Bolsonaro e do ex-presidente, hoje presidiário: “Lulinha não se escondeu atrás de uma loja de chocolates”, disse o advogado.

Carvalho relembra que o ex-capitão teria pressionado seu então ministro da Justiça, Sérgio Moro, ao ameaçar demiti-lo caso não aceitasse a troca no comando da Polícia Federal no Rio de Janeiro, nà época a responsável pelas investigações sobre o esquema de rachadinha supostamente liderado por Flávio Bolsonaro quando era deputado estadual. O episódio culminou na saída de Moro do governo.

Sobre a viagem a Portugal na companhia do “Careca do INSS”, a defesa explica que o objetivo foi conhecer uma fazenda de extração de canabidiol. À época, Lulinha desconhecia quaisquer irregularidades atribuídas ao empresário, então visto como bem-sucedido no setor farmacêutico. O contato entre ambos ocorreu por intermédio da amiga Roberta Luchsinger.

Nos bastidores, a avaliação é de que a postura colaborativa de Lulinha tem contribuído para tranquilizar o Palácio do Planalto.