
O presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou nesta quinta (8) que o país votará contra o acordo de livre comércio entre a União Europeia (UE) e o Mercosul. Ele disse que essa posição será apresentada na reunião dos embaixadores da UE marcada para amanhã.
A oposição de Macron ao acordo é sustentada por outros países do bloco, como Irlanda, Hungria e Polônia. Para a França, o acordo comprometeria a proteção do setor agrícola, que já enfrenta concorrência com produtos latino-americanos mais baratos e com padrões ambientais diferentes dos exigidos pela UE.
Em declarações anteriores, Macron já havia condicionado seu apoio ao acordo à inclusão de salvaguardas para proteger a agricultura francesa. Ele afirmou que não aceitaria um pacto que não atendesse aos interesses dos agricultores do país, considerando-o uma ameaça devido à concorrência com produtos da América do Sul.
La France est favorable au commerce international, mais l’accord UE-Mercosur est un accord d’un autre âge, négocié depuis trop longtemps sur des bases trop anciennes (mandat de 1999).
Si la diversification commerciale est nécessaire, le gain économique de l’accord UE-Mercosur…
— Emmanuel Macron (@EmmanuelMacron) January 8, 2026
A oposição francesa ao tratado inclui críticas sobre a redução das tarifas de importação, especialmente de produtos agrícolas como carne e soja. Por outro lado, países como Alemanha e Espanha têm se posicionado a favor do avanço do acordo, acreditando que ele pode mitigar os efeitos das tarifas impostas pelos Estados Unidos e reduzir a dependência da UE em relação à China.
O pacto é visto como uma oportunidade para ampliar o acesso da UE a novos mercados e recursos estratégicos, como minerais da América Latina. A Comissão Europeia, com o apoio desses países, ainda busca convencer mais Estados-membros para garantir a aprovação do tratado.
Com a assinatura do acordo prevista para segunda (12), caso a Comissão Europeia consiga o apoio necessário, o pacto criaria a maior área de livre comércio do mundo. A Itália também pode apoiar o tratado, desde que atendidas as demandas do setor agrícola.
A expectativa é que o acordo avance para sua fase final, mas a resistência de países como a França ainda gera discussões e divisões dentro da União Europeia.