
O presidente Donald Trump divulgou, na última terça-feira (20), o conteúdo de uma conversa privada com o presidente francês Emmanuel Macron, ampliando a tensão diplomática entre os Estados Unidos e aliados europeus. A mensagem foi publicada por Trump em sua conta na rede social Truth Social e, segundo uma fonte próxima ao Palácio do Eliseu, é autêntica.
O episódio ocorre em meio a um impasse envolvendo tarifas comerciais e a proposta estadunidense de compra da Groenlândia, território autônomo pertencente à Dinamarca.
Na mensagem tornada pública, Macron afirma que líderes europeus convocaram uma reunião de emergência para quinta-feira (22), em Bruxelas, e se oferece para organizar, no mesmo dia, um encontro do G7 em Paris. O presidente francês sugere ampliar o diálogo ao convidar Ucrânia e Dinamarca, com o objetivo de tratar diretamente das divergências sobre a Groenlândia, enquanto a Rússia poderia participar apenas como observadora.
O texto revela ainda tentativas de Macron de manter uma agenda diplomática ampla com Washington. “Estamos totalmente alinhados em relação à Síria. Podemos fazer grandes coisas em relação ao Irã. Não entendo o que você está fazendo em relação à Groenlândia. Vamos tentar construir grandes coisas”, escreveu o francês.
Trump appears to have leaked a private text message from Emmanuel Macron.
Why would any leader ever trust someone who leaks their private conversations? pic.twitter.com/vgg9fvZcaE
— MeidasTouch (@MeidasTouch) January 20, 2026
Além da proposta de reunião multilateral, Macron convidou Trump para um jantar na noite de quinta-feira. As eventuais respostas do presidente estadunidense não aparecem na captura de tela divulgada. A Casa Branca e o gabinete do presidente francês não comentaram oficialmente o conteúdo da troca de mensagens, o que reforçou o clima de incerteza sobre os próximos passos da diplomacia entre os dois países.
O vazamento da conversa ocorre dias após Trump anunciar que pretende impor tarifas de 10% a produtos de oito países europeus a partir de 1º de fevereiro de 2026. A medida, segundo o presidente estadunidense, seria aplicada caso esses países se oponham ao plano dos Estados Unidos de adquirir a Groenlândia.
A iniciativa reacendeu críticas dentro da União Europeia, que vê a proposta como uma ameaça direta à soberania dinamarquesa e à estabilidade das relações transatlânticas.
Macron reagiu publicamente às ameaças tarifárias e classificou a estratégia como inaceitável. Em publicação na rede social X, afirmou: “Nenhuma intimidação ou ameaça nos influenciará, nem na Ucrânia, nem na Groenlândia, nem em qualquer outro lugar do mundo quando nos depararmos com tais situações”.
Leia a mensagem na íntegra:
“Do presidente Macron ao presidente Trump
Meu amigo,
Estamos totalmente alinhados em relação à Síria
Podemos fazer grandes coisas em relação ao Irã
Não entendo o que você está fazendo em relação à Groenlândia
Vamos tentar construir grandes coisas:
1) Posso organizar uma reunião do G7 depois de Davos em Paris na quinta-feira à tarde. Posso convidar os ucranianos, os dinamarqueses, os sírios e os russos à margem
2) Vamos jantar juntos em Paris na quinta-feira antes de você voltar para os EUA
Emmanuel”.