Macron quer sediar reunião do G7 para debater sobre a Groenlândia, expõe Trump

Atualizado em 20 de janeiro de 2026 às 6:28
Emmanuel Macron, presidente da França, e Donald Trump, dos EUA. Foto: Vincent Kessler/Reuters

O presidente Donald Trump divulgou, na última terça-feira (20), o conteúdo de uma conversa privada com o presidente francês Emmanuel Macron, ampliando a tensão diplomática entre os Estados Unidos e aliados europeus. A mensagem foi publicada por Trump em sua conta na rede social Truth Social e, segundo uma fonte próxima ao Palácio do Eliseu, é autêntica.

O episódio ocorre em meio a um impasse envolvendo tarifas comerciais e a proposta estadunidense de compra da Groenlândia, território autônomo pertencente à Dinamarca.

Na mensagem tornada pública, Macron afirma que líderes europeus convocaram uma reunião de emergência para quinta-feira (22), em Bruxelas, e se oferece para organizar, no mesmo dia, um encontro do G7 em Paris. O presidente francês sugere ampliar o diálogo ao convidar Ucrânia e Dinamarca, com o objetivo de tratar diretamente das divergências sobre a Groenlândia, enquanto a Rússia poderia participar apenas como observadora.

O texto revela ainda tentativas de Macron de manter uma agenda diplomática ampla com Washington. “Estamos totalmente alinhados em relação à Síria. Podemos fazer grandes coisas em relação ao Irã. Não entendo o que você está fazendo em relação à Groenlândia. Vamos tentar construir grandes coisas”, escreveu o francês.

Além da proposta de reunião multilateral, Macron convidou Trump para um jantar na noite de quinta-feira. As eventuais respostas do presidente estadunidense não aparecem na captura de tela divulgada. A Casa Branca e o gabinete do presidente francês não comentaram oficialmente o conteúdo da troca de mensagens, o que reforçou o clima de incerteza sobre os próximos passos da diplomacia entre os dois países.

O vazamento da conversa ocorre dias após Trump anunciar que pretende impor tarifas de 10% a produtos de oito países europeus a partir de 1º de fevereiro de 2026. A medida, segundo o presidente estadunidense, seria aplicada caso esses países se oponham ao plano dos Estados Unidos de adquirir a Groenlândia.

A iniciativa reacendeu críticas dentro da União Europeia, que vê a proposta como uma ameaça direta à soberania dinamarquesa e à estabilidade das relações transatlânticas.

Macron reagiu publicamente às ameaças tarifárias e classificou a estratégia como inaceitável. Em publicação na rede social X, afirmou: “Nenhuma intimidação ou ameaça nos influenciará, nem na Ucrânia, nem na Groenlândia, nem em qualquer outro lugar do mundo quando nos depararmos com tais situações”.

Leia a mensagem na íntegra: 

“Do presidente Macron ao presidente Trump

Meu amigo,

Estamos totalmente alinhados em relação à Síria

Podemos fazer grandes coisas em relação ao Irã

Não entendo o que você está fazendo em relação à Groenlândia

Vamos tentar construir grandes coisas:

1) Posso organizar uma reunião do G7 depois de Davos em Paris na quinta-feira à tarde. Posso convidar os ucranianos, os dinamarqueses, os sírios e os russos à margem

2) Vamos jantar juntos em Paris na quinta-feira antes de você voltar para os EUA

Emmanuel”.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.