
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e a primeira-dama Cilia Flores foram retirados à força do quarto onde estavam durante a operação militar dos Estados Unidos que resultou na captura do casal, na madrugada deste sábado (3). A informação foi divulgada inicialmente pela emissora CNN, com base em fontes ouvidas pelo canal.
Segundo a reportagem, Maduro e Cilia dormiam quando militares americanos entraram na residência e os levaram ainda durante a noite. Em entrevista à Fox News, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que acompanhou a ação em tempo real por meio de uma transmissão feita por agentes que participaram da missão.
A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, declarou que o governo não tem informações sobre o paradeiro de Maduro e da primeira-dama. Em pronunciamento à emissora estatal VTV, ela exigiu “prova de vida imediata” por parte do governo norte-americano.
À agência Associated Press, o dirigente chavista Nahum Fernández afirmou que o casal estava em uma residência localizada dentro do complexo militar do Forte Tiuna, em Caracas. “Foi lá que eles bombardearam. E foi lá que realizaram o que podemos chamar de sequestro do presidente e da primeira-dama”, disse.
Maduro estava sendo levado para Nova York. Mais cedo, a secretária de Justiça dos Estados Unidos, Pam Bondi, declarou que o presidente venezuelano “em breve enfrentará a força total da Justiça americana, em solo americano e em tribunal americano”. Em publicações nas redes sociais, Bondi mencionou denúncias apresentadas em 2020 pelo Distrito Sul de Nova York, que acusam Maduro de conspiração para o narcoterrorismo, importação de cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos e conspiração contra os Estados Unidos.
Naquele ano, ainda durante o primeiro mandato de Trump, o Departamento de Justiça dos EUA acusou Maduro e aliados de transformarem o Estado venezuelano em uma organização criminosa ligada ao narcotráfico, enquanto desviavam recursos públicos. As denúncias incluíram acusações contra 14 autoridades e indivíduos ligados ao governo, além da fixação de recompensas que somavam US$ 55 milhões por informações que levassem à captura de Maduro e outros dirigentes.
Uma das ações judiciais, apresentada por promotores de Nova York, acusou Maduro e o líder chavista Diosdado Cabello de conspirarem com grupos armados colombianos para “inundar os Estados Unidos com cocaína”, utilizando o narcotráfico como instrumento de ataque ao país.
Segundo a Associated Press, a base legal para a operação militar norte-americana não foi esclarecida. A ação tem sido comparada à invasão do Panamá, em 1990, que resultou na captura do então líder Manuel Antonio Noriega.
Em publicação na rede Truth Social, Trump escreveu que “os Estados Unidos realizaram com sucesso um ataque em larga escala contra a Venezuela” e que Maduro e sua esposa foram capturados e retirados do país por via aérea. O presidente afirmou que a operação foi conduzida em conjunto com forças de segurança americanas e anunciou uma coletiva de imprensa em Mar-a-Lago para apresentar mais detalhes.
— Marco Rubio (@marcorubio) January 3, 2026
A escalada de tensão entre Washington e Caracas se intensificou nos últimos meses. No fim de outubro, Trump revelou ter autorizado a CIA a realizar operações secretas na Venezuela. Segundo fontes da Casa Branca, o Pentágono apresentou diferentes cenários de ação, incluindo ataques a instalações militares, sob a justificativa de vínculos entre setores das Forças Armadas venezuelanas e o narcotráfico.