Mãe de Flávio é suplente de bolsonarista investigado por elo com milícias

Atualizado em 7 de julho de 2026 às 11:03
Flávio Bolsonaro e Márcio Canella. Foto: reprodução

Alvo da 6ª fase da Operação Unha e Carne, deflagrada pela Polícia Federal nesta terça-feira (7), o ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella (União-RJ) voltou a colocar sob pressão as relações políticas do clã Bolsonaro no Rio de Janeiro. Pré-candidato ao Senado com apoio de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Canella tem como primeira suplente Rogéria Nantes Bolsonaro, primeira esposa de Jair Bolsonaro e mãe de Flávio, Carlos e Eduardo.

A escolha foi anunciada pelo próprio Flávio, que alçou Canella à condição de candidato do grupo no Rio. O desenho político prevê que, caso Canella seja eleito senador e Flávio vença a disputa presidencial, o aliado possa ser deslocado para um ministério, abrindo caminho para Rogéria assumir a cadeira no Senado.

“Minha mãe é candidata a primeira suplente do Márcio Canella (União-RJ), que é nosso pré-candidato ao Senado no Rio de Janeiro. Mãe, te amo”, disse Flávio Bolsonaro à CNN, na véspera do Dia das Mães.

Ex-deputado estadual, Canella foi eleito pela primeira vez em 2014 pelo PSL, partido que também seria usado por Jair Bolsonaro na campanha presidencial de 2018. A relação com Flávio nasceu na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e se intensificou a partir das articulações eleitorais do bolsonarismo na Baixada Fluminense.

A região, formada por 13 cidades da área metropolitana, concentra cerca de um quinto dos mais de 13 milhões de eleitores do estado, terceiro maior colégio eleitoral do país. Por isso, tornou-se estratégica para o clã Bolsonaro.

A aproximação entre Canella e os Bolsonaro ganhou força em 2022, depois que o então prefeito de Belford Roxo, Wagner dos Santos Carneiro, o Waguinho (MDB), rompeu com Jair Bolsonaro e apoiou Lula (PT). Canella permaneceu fiel ao grupo e obteve a maior votação do estado para seu terceiro mandato na Alerj.

Dois anos depois, disputou a prefeitura de Belford Roxo com apoio direto de Flávio Bolsonaro e venceu Matheus do Waguinho, sobrinho do ex-prefeito que havia rompido com o bolsonarismo. A vitória consolidou Canella como um dos principais aliados do clã na Baixada.

A trajetória política do ex-prefeito também é marcada pela ligação com Juracy Alves Prudêncio, o “Jura”, ex-policial militar condenado por homicídios e por liderar a milícia “Somos Comunidade”. Jura atuou no gabinete de Canella na Alerj e foi responsável por indicar Marcus Amin, outro alvo da Operação Unha e Carne, para a secretaria da Polícia Civil no governo Cláudio Castro.

Na breve passagem pela prefeitura de Belford Roxo, antes de ser lançado por Flávio como pré-candidato ao Senado, Canella também virou alvo do Ministério Público do Rio de Janeiro por nomear figuras com histórico de condenações para cargos municipais.

Entre os casos citados estão o ex-vereador Eduardo Araújo (PL), nomeado secretário de Indústria e Comércio, e Fábio Brasil, conhecido como Fabinho Varandão (MDB), indicado para a pasta de Esporte e Lazer. Araújo foi condenado em primeira instância por integrar organização paramilitar na região. Já Varandão foi condenado por extorsão e porte ilegal de arma, acusado de explorar serviços de internet e ameaçar concorrentes por meio de milícia local.

A nova fase da Operação Unha e Carne amplia o desgaste em torno de Canella e atinge diretamente a estratégia eleitoral de Flávio no Rio, onde o bolsonarismo tenta preservar influência na Baixada e garantir uma vaga no Senado para uma aliada da família.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.