Maia pediu a Força Nacional e Temer, o covarde, chamou as Forças Armadas. Por Miguel Enriquez

POR MIGUEL ENRIQUEZ, de Brasília. 

Em sua louca cavalgada para se manter no cargo ocupado ilegitimamente, Michel Temer, cada vez mais impopular e rejeitado pela população brasileira, às voltas com a corrosão acelerada de sua base parlamentar, não hesitou em apelar às Forças Armadas para assegurar alguns dias a mais a sua presença na cadeira presidencial.

Mergulhado no maior escândalo envolvendo um presidente da República na história recente do País, aproveitou-se de um pedido do presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia ( DEM-RJ) para a convocação das tropas da Força Nacional para controlar as mobilizações populares para forçar a barra e introduzir na cena política as três armas militares – Exército, Marinha e Aeronáutica.

Descaradamente, como é do seu feitio, Temer atribuiu a Maia o pedido da intervenção das Forças Armadas, versão prontamente repudiada pelo deputado.

“Eu pedi reforço da Força Nacional. Quero garantir a segurança do Congresso. Se mandaram algo muito maior, aí é problema do governo”, disse o presidente da Câmara, ao mesmo tempo em que divulgou o ofício enviado ao Planalto.

Criada no governo Lula, a Força Nacional, que conta com policiais militares oriundos dos diferentes Estados da Federação, foi baseada na Força de Paz da Organização das Nações Unidas (ONU), de acordo com o Ministério da Justiça.

“É  um programa de cooperação do governo federal, criado para executar atividades e serviços imprescindíveis à preservação da ordem pública, à segurança das pessoas e do patrimônio, atuando também em situações de emergência e calamidades públicas”, informa o ministério. ´

Trata-se de uma tropa de elite, composta por profissionais especializados na área de segurança pública, acostumados a trabalhar no policiamento e no controle de manifestações  populares.

Tarefa para a qual, em absoluto, são treinados ou estão preparados os contingentes das três armas. Sua ação já foi vista em eventos importantes, como os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, onde permanecem atuando, e no Rio Grande do Sul, às voltas com graves problemas na área de Segurança Pública

O tresloucado gesto de Temer, que praticamente instaura o Estado de sítio na capital federal, é uma aposta desesperada e irresponsável no aplastamento de qualquer tipo de oposição ao seu desgoverno.

Na verdade, é uma bola cantada, que já vinha sendo propagada pela figura não menos deplorável do atual ministro da Defesa Raul  Jungmann. Conhecido como “Rambo” entre  seus próprios correligionários do PPS, Jungmann já vinha acenando com uma suposta inquietação militar desde a semana passada, tão logo foi revelado o envolvimento de Temer  nas tramoias da JBS.

A perplexidade dos brasileiros diante do ato de força foi traduzida à perfeição numa frase do ministro Marco Aurélio Melo, que chegou a suspender uma sessão do Supremo Tribunal  Federal ao saber da convocação das Forças Armadas: “Eu espero que a notícia não seja verdadeira”, afirmou Marco Aurélio.

Era.

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