Mais do que nunca, é preciso lembrar Ciro Gomes: “Bolsonaro não representa risco à democracia”. Por Kiko Nogueira

Ciro Gomes, homem de visão

Entre os problemas de Ciro Gomes, o principal deles é Ciro Gomes, como se sabe.

O segundo é o timing.

Ciro foi flanar em Paris às vésperas do segundo turno por razões que ele já explicitou, todas mentirosas. Foi porque é um personalista ressentido.

Em novembro de 2018, o candidato dos eternos 11% de votos deu uma palestra para investidores da XP, aquela mesmo do Dallagnol.

Falou o seguinte, segundo a Veja:

“Ele pregou que a eleição de Jair Bolsonaro não representa risco à democracia, segundo o pedetista, por falta de vontade do capitão e porque não haveria meios para se aplicar um golpe a essa altura do campeonato.

Ciro repetiu que ele e seu partido, diferentemente dos petistas, não praticarão uma oposição raivosa ao futuro governo.”

Nesta quinta, dia 31, Eduardo Bolsonaro declarou à amiga Leda Nagle, em seu canal no YouTube, que, se a esquerda “radicalizar” no Brasil, uma das respostas poderá ser “via um novo AI-5”.

Um dia antes, ameaçou uma volta da ditadura no plenário da Câmara se protestos como no Chile se repetissem aqui.

Há 30 anos Jair Bolsonaro falava em fechar o Congresso, fuzilar Fernando Henrique etc etc. É um nostálgico do regime militar DESDE SEMPRE.

Em janeiro, Ciro contava ao El Pais o que iria fazer com Bolsonaro: “É preciso estimulá-lo ao jogo democrático, atraí-lo ao jogo democrático” (vídeo abaixo).

Não é fofo? Uma oposição composta de babás de monstros.

Agora o mesmo Ciro reage a Eduardo em seu velho estilo: “Vê aí na internet, seu merdinha, qual foi o destino do Mussolini e recolhe tua viola! Por enquanto vou pedir ao meu Partido que represente ao Conselho de ética da Câmara para cassar teu mandato por falta de decoro!”

Ciro é um idiot-savant, o idiota sábio.

O termo foi cunhado nos anos 80. O savantismo, para resumir, é um distúrbio psíquico em que o sujeito possui uma habilidade intelectual grande aliada a um déficit de inteligência.

Tem uma memória extraordinária, desfia dados e números, porém com pouca compreensão do que está sendo descrito.

Serve para Bolsonaro, serve para Ciro.

O resultado é sempre uma desgraça.

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