
A Folha de São Paulo sobrevive há muito tempo, e muito mais agora, das suas pesquisas, e não daquilo que deveria ser o seu principal produto, o jornalismo. É como se um açougue passasse a depender das vendas de pão com alho.
Podem dizer que pesquisas subsidiam informações jornalísticas. Mas não podem estar à frente do jornalismo e muito menos substituí-lo. As pesquisas são um vício que a Folha tem mais do que os outros, mas todos os jornalões vivem das controvérsias provocadas por essa consultas.
Na falta de jornalismo de verdade, que abram manchetes para as pesquisas, como a Folha fez quase todos os dias durante uma semana.
A pesquisa é a salvação das corporações de mídia. A semana que se inicia logo terá uma pesquisa sobre alguma coisa aleatória. E assim o jornalismo não precisa fazer jornalismo.
E o leitor, que pede carne de primeira, vai sendo enganado com pão de alho.
ESTADÃO CONSELHEIRO
As contradições do liberalismo. Não querem Estado, mas querem plano de ação para o Estado.
Essa foi a manchete do Estadão em boa parte do domingo:
“Brasil Adiante: Estadão reúne especialistas para apresentar agenda de propostas ao próximo presidente. Painéis vão debater, até agosto, medidas práticas para resolver os principais gargalos brasileiros; agenda focará em ações que possam ser executadas nos primeiros dois anos de governo.

Logo, abaixo, o Estadão informa o seguinte:
“O próximo mandato deve ter um plano de ação’, diz Fábio Barbosa, curador do Brasil Adiante”
Mas o liberalismo não acha que o Estado não deve nunca ser orientador nem indutor de nada? Não é o setor privado que deve ter o comando hegemônico da economia?
O Estadão, gerido por banqueiros, quer dar conselhos a Lula?