
Jason Watson, major da Força Aérea dos Estados Unidos, foi detido pela Polícia do Capitólio na quarta-feira (02) durante um protesto por impeachment do presidente Donald Trump nas escadarias da Câmara dos Representantes, em Washington. O militar vestia uniforme e carregava um cartaz com a frase “Impeachment, Remoção do Condenado”.
Watson participou de uma coletiva organizada pela Removal Coalition e se identificou como integrante da ativa. O ato também teve a presença do deputado democrata Al Green, do Texas, que defende a abertura de um processo contra Trump.
A Polícia do Capitólio informou que um membro do Congresso levou Watson até a escadaria e deixou o local antes da chegada dos agentes. A corporação afirmou que orientou o major a encerrar a manifestação, considerada irregular, mas ele desobedeceu à ordem.
Os agentes prenderam Watson por violação da norma 22-1307, referente a “aglomeração, obstrução e perturbação”. Não há informação sobre defesa jurídica constituída para o militar após a detenção.
People are traveling, gathering together, barbecuing, celebrating the 250th anniversary of this nation in various ways. And then we have this…
An American service member using his right to free speech, guaranteed in our nation’s constitution. A right given to all of us every… pic.twitter.com/ICsh5swewg
— Maria Shriver (@mariashriver) July 2, 2026
Militar acusou governo Trump de violar a Constituição
No discurso, Watson acusou o governo Trump de adotar medidas incompatíveis com a Constituição dos EUA. Ele citou operações militares na Venezuela e no Irã, a política de endurecimento contra a imigração e pediu impeachment do presidente e do vice-presidente, JD Vance.
O major afirmou que as ações militares representam “uma usurpação inconstitucional da autoridade do Congresso e uma violação da Cláusula de Poderes de Guerra”. Em referência às baixas das Forças Armadas dos EUA no conflito com o Irã, disse: “Essas violações resultaram na morte de 13 militares e ferimentos de centenas de outros”.
Un major de l’armée de l’air américaine en service actif a été arrêté au Capitole après avoir appelé à la destitution de Donald Trump en portant l’uniforme d’officier.
Le major Jason Watson, officier de la logistique de l’armée de l’air américaine depuis 17 ans, a été arrêté sur… pic.twitter.com/GYgRZIIshv
— Brainless Partisans 🏴☠️☢️☣️🪆 (@BPartisans) July 2, 2026
Watson completou: “Por isso, o presidente e o vice-presidente devem sofrer impeachment, ser condenados e destituídos”. Ele também declarou que não pertence ao Partido Democrata e pediu mobilização pacífica para pressionar o Congresso.
Jessica Denson, fundadora da Removal Coalition, afirmou que Watson procurou a organização por e-mail e sabia dos riscos envolvidos. “Começamos a conversar, levamos muito a sério o desejo dele de se manifestar publicamente e pensamos na melhor maneira de fazer com que seu sacrifício valesse a pena”, disse.
Al Green divulgou um vídeo nas redes sociais após o episódio e saiu em defesa do major. “Acabei de sair das dependências do Capitólio; estive lá para testemunhar um major das Forças Armadas dos EUA inclinar o arco do universo moral em direção à justiça”, afirmou o deputado.
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Acte de dissidence sans précédent, le commandant de l’armée de l’air américaine en service actif Jason Watson a été arrêté sur les marches du Capitole après avoir exigé la mise en accusation et la destitution de Donald Trump. Son arrestation, effectuée au ⬇️ pic.twitter.com/LnFkiOzqMw— Monica φ 🇨🇵🇵🇸🇱🇧🇨🇺🇧🇷🇻🇪 💜 (@MANOUCHKYA) July 2, 2026
As regras das Forças Armadas dos EUA restringem a participação de militares da ativa em atividades político-partidárias, especialmente com uso de uniforme. O Código Uniforme de Justiça Militar também prevê punições para integrantes que façam declarações desrespeitosas contra o presidente, o vice-presidente, o Congresso e outras autoridades.
A Força Aérea afirmou que seus integrantes devem cumprir leis, regulamentos e normas sobre conduta militar e uso do uniforme. Watson está lotado em Bydgoszcz, na Polônia, exerce a função de oficial de logística, ingressou no serviço ativo em 2009 e estava de licença no momento do protesto.