VÍDEO: Major dos EUA faz ato por impeachment de Trump no Capitólio e é detido

Atualizado em 4 de julho de 2026 às 12:30
Capitólio dos Estados Unidos em Washington
Capitólio dos Estados Unidos, em Washington. Foto: Reprodução

Jason Watson, major da Força Aérea dos Estados Unidos, foi detido pela Polícia do Capitólio na quarta-feira (02) durante um protesto por impeachment do presidente Donald Trump nas escadarias da Câmara dos Representantes, em Washington. O militar vestia uniforme e carregava um cartaz com a frase “Impeachment, Remoção do Condenado”.

Watson participou de uma coletiva organizada pela Removal Coalition e se identificou como integrante da ativa. O ato também teve a presença do deputado democrata Al Green, do Texas, que defende a abertura de um processo contra Trump.

A Polícia do Capitólio informou que um membro do Congresso levou Watson até a escadaria e deixou o local antes da chegada dos agentes. A corporação afirmou que orientou o major a encerrar a manifestação, considerada irregular, mas ele desobedeceu à ordem.

Os agentes prenderam Watson por violação da norma 22-1307, referente a “aglomeração, obstrução e perturbação”. Não há informação sobre defesa jurídica constituída para o militar após a detenção.

Militar acusou governo Trump de violar a Constituição

No discurso, Watson acusou o governo Trump de adotar medidas incompatíveis com a Constituição dos EUA. Ele citou operações militares na Venezuela e no Irã, a política de endurecimento contra a imigração e pediu impeachment do presidente e do vice-presidente, JD Vance.

O major afirmou que as ações militares representam “uma usurpação inconstitucional da autoridade do Congresso e uma violação da Cláusula de Poderes de Guerra”. Em referência às baixas das Forças Armadas dos EUA no conflito com o Irã, disse: “Essas violações resultaram na morte de 13 militares e ferimentos de centenas de outros”.

Watson completou: “Por isso, o presidente e o vice-presidente devem sofrer impeachment, ser condenados e destituídos”. Ele também declarou que não pertence ao Partido Democrata e pediu mobilização pacífica para pressionar o Congresso.

Jessica Denson, fundadora da Removal Coalition, afirmou que Watson procurou a organização por e-mail e sabia dos riscos envolvidos. “Começamos a conversar, levamos muito a sério o desejo dele de se manifestar publicamente e pensamos na melhor maneira de fazer com que seu sacrifício valesse a pena”, disse.

Al Green divulgou um vídeo nas redes sociais após o episódio e saiu em defesa do major. “Acabei de sair das dependências do Capitólio; estive lá para testemunhar um major das Forças Armadas dos EUA inclinar o arco do universo moral em direção à justiça”, afirmou o deputado.


As regras das Forças Armadas dos EUA restringem a participação de militares da ativa em atividades político-partidárias, especialmente com uso de uniforme. O Código Uniforme de Justiça Militar também prevê punições para integrantes que façam declarações desrespeitosas contra o presidente, o vice-presidente, o Congresso e outras autoridades.

A Força Aérea afirmou que seus integrantes devem cumprir leis, regulamentos e normas sobre conduta militar e uso do uniforme. Watson está lotado em Bydgoszcz, na Polônia, exerce a função de oficial de logística, ingressou no serviço ativo em 2009 e estava de licença no momento do protesto.

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