
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), defendeu a atuação de seus colegas Alexandre de Moraes e Dias Toffoli em meio à crise gerada pela investigação do Banco Master. Durante entrevista, o decano afirmou que o caso vai além de um simples envolvimento de membros da Corte e que trata-se de um problema relacionado à regulação e à possível participação do sistema financeiro nas fraudes investigadas.
“Há uma maldade em tentar transferir o caso Master para a Praça dos Três Poderes. O Master continua residindo na Faria Lima”, disse o magistrado em entrevista ao programa “JR Entrevista”, da Record News. Ele ainda apontou que a crise envolve instituições e órgãos reguladores, como o Banco Central e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Gilmar ainda minimizou o envolvimento de colegas do STF no caso. “Vamos avaliar com muita calma todo esse episódio e entender a partir das investigações o que de fato houve. Eu reputo até aqui que, se há algum tipo de envolvimento que atinja o Supremo, é algo marginal”, prosseguiu.
Para o ministro, a crise é “sistêmica”. “De fato, a crise do Master é reveladora talvez até de uma crise sistêmica, nós temos bancos de primeira linha vendendo os CDBs do Banco Master”, acrescentou.
🚨 VEJA: Gilmar Mendes diz que culpar a Praça dos Três Poderes no Caso Master é “maldade” e aponta Faria Lima
O ministro Gilmar Mendes afirmou que é “maldade” tentar responsabilizar a Praça dos Três Poderes pelo Caso Master e disse que o problema continua concentrado na Faria… pic.twitter.com/rRc1BuY3kw
— Pesquisas Eleições (@EleicaoBr2026) April 23, 2026
Em meio ao escândalo, diversos pedidos de impeachment contra os ministros da Corte foram apresentados, com base em acusações de responsabilidade. Dias Toffoli chegou a se afastar da relatoria do caso Master, após a Polícia Federal entregar documentos que indicavam possíveis conexões entre ele e Vorcaro.
Gilmar explicou que Toffoli decidiu se afastar por questões relacionadas à sua participação em negócios e reclamou da ofensiva de parlamentares contra os magistrados.
“Isso se tornou uma rotina, já há algum tempo se fala nisso, porque o tribunal estava atrapalhando o governo Bolsonaro. Em que o tribunal atrapalhou o governo Bolsonaro? Impediu que ele fizesse aquela política de ‘Jim Jones’, de matança geral”, afirmou.
Ele também citou o pedido de indiciamento feito por Alessandro Vieira (MDB-SE), reator da CPI do Crime Organizado, contra ele e outros colegas. “Você já imaginou isso? Está faltando alguma coisa em algum lugar. Está faltando adulto na sala. Impeachment de ministro do Supremo sem nenhuma razão? O objetivo é constranger, atemorizar, mas, como eu já disse até em outra oportunidade, assombração só aparece para aqueles que acreditam nelas”, apontou.