“Maldade”: Gilmar reclama de associação do caso Master ao STF

Atualizado em 23 de abril de 2026 às 12:49
Gilmar Mendes em entrevista à Record News. Foto: Reprodução

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), defendeu a atuação de seus colegas Alexandre de Moraes e Dias Toffoli em meio à crise gerada pela investigação do Banco Master. Durante entrevista, o decano afirmou que o caso vai além de um simples envolvimento de membros da Corte e que trata-se de um problema relacionado à regulação e à possível participação do sistema financeiro nas fraudes investigadas.

“Há uma maldade em tentar transferir o caso Master para a Praça dos Três Poderes. O Master continua residindo na Faria Lima”, disse o magistrado em entrevista ao programa “JR Entrevista”, da Record News. Ele ainda apontou que a crise envolve instituições e órgãos reguladores, como o Banco Central e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Gilmar ainda minimizou o envolvimento de colegas do STF no caso. “Vamos avaliar com muita calma todo esse episódio e entender a partir das investigações o que de fato houve. Eu reputo até aqui que, se há algum tipo de envolvimento que atinja o Supremo, é algo marginal”, prosseguiu.

Para o ministro, a crise é “sistêmica”. “De fato, a crise do Master é reveladora talvez até de uma crise sistêmica, nós temos bancos de primeira linha vendendo os CDBs do Banco Master”, acrescentou.

Em meio ao escândalo, diversos pedidos de impeachment contra os ministros da Corte foram apresentados, com base em acusações de responsabilidade. Dias Toffoli chegou a se afastar da relatoria do caso Master, após a Polícia Federal entregar documentos que indicavam possíveis conexões entre ele e Vorcaro.

Gilmar explicou que Toffoli decidiu se afastar por questões relacionadas à sua participação em negócios e reclamou da ofensiva de parlamentares contra os magistrados.

“Isso se tornou uma rotina, já há algum tempo se fala nisso, porque o tribunal estava atrapalhando o governo Bolsonaro. Em que o tribunal atrapalhou o governo Bolsonaro? Impediu que ele fizesse aquela política de ‘Jim Jones’, de matança geral”, afirmou.

Ele também citou o pedido de indiciamento feito por Alessandro Vieira (MDB-SE), reator da CPI do Crime Organizado, contra ele e outros colegas. “Você já imaginou isso? Está faltando alguma coisa em algum lugar. Está faltando adulto na sala. Impeachment de ministro do Supremo sem nenhuma razão? O objetivo é constranger, atemorizar, mas, como eu já disse até em outra oportunidade, assombração só aparece para aqueles que acreditam nelas”, apontou.

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.