
Flávio Bolsonaro (PL) deixou o Brasil depois de perder a eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Foi nesta terça (27). Diante da fuga, a jornalista Malu Gaspar encontrou um personagem para responsabilizar: o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Mais cedo, antes da confirmação de que o senador se mandou, ela questionou na GloboNews a suposta ausência de provas concretas de que Flávio pretendia fugir.
“Não há no pedido um indício concreto de que ele vá fugir. É claro, como a gente tem dito e que ele iria fugir, né? Ele fugiu, inclusive ele fugiu”, afirmou Malu. Acuma?
A jornalista insistiu que sua crítica dizia respeito à falta de evidências apresentadas no pedido da PF. Malu ainda associou a atuação de Moraes à crise institucional brasileira e afirmou que decisões do ministro acabam alimentando o discurso de perseguição utilizado pelos pobres Bolsonaros.
“É claro que existe um alarme natural pelo histórico da família Bolsonaro, mas também existe uma situação em que toda a crise institucional em que nós estamos foi provocada por decisões como essa do Ministro Alexandre de Moraes”, declarou.
Nunca um vídeo envelheceu tão mal tão rapidamente. Sempre ela… https://t.co/aOpZFDSoy7
— Alan Passos 🍫 (@Alan_Passos) October 27, 2026
O que Moraes deveria ter feito?
Malu argumentou que existem mecanismos de monitoramento capazes de impedir a saída do país de pessoas investigadas ou acusadas de crimes. Também criticou a rapidez da iniciativa da Polícia Federal, apresentada, segundo ela, apenas sete minutos depois da derrota de Flávio Bolsonaro.
“Essa é foi a pior iniciativa do ponto de vista político, porque ela prolonga a crise. Ela faz com que toda aquela argumentação que os Bolsonaro usam para dizer que estão sendo perseguidos pelo STF, acabe sendo justificado por medidas como essa”, afirmou.
Moraes agiu corretamente. Não ignorou o alerta da PF. Ou Moraes deveria esperar que o investigado deixasse o território nacional para só então reconhecer que havia motivos para preocupação?
Em outro trecho, Malu ainda defendeu a necessidade de pacificação política depois da eleição e voltou a responsabilizar o Supremo pelo agravamento da crise. Leia-se a boa e velha anistia aos golpistas.
“Eu acho que é a gente precisa, depois do final da eleição, pacificar a situação. Quando o STF começa a investir novamente, não deu nem 24 horas. 3 horas, o STF já está novamente atuando de forma a complicar, a tumultuar a situação política do país. Eu acho isso preocupante”, disse.
O raciocínio coloca a pacificação nacional em oposição à atuação das instituições responsáveis pela aplicação da lei. Como se o encerramento da eleição exigisse uma espécie de suspensão das investigações ou um período de tolerância especial para integrantes da família Bolsonaro.
A derrota eleitoral de Flávio não lhe concederia imunidade contra medidas judiciais legalmente fundamentadas. Da mesma forma, o fato de ter sido candidato à Presidência não deveria servir de argumento para impedir a Polícia Federal de comunicar ao Supremo eventuais informações sobre risco de fuga.
Pura poesia o raciocínio da Malu Gaspar. Não havia nenhuma evidência de que ele fosse fugir, além do fato de que todo mundo soubesse que ele fosse fugir e que ele tenha de fato fugido https://t.co/QtdiXP9iFF
— Rodrigo Rötzsch 🇨🇷 (@rodrigorotzsch) October 27, 2026
Também não cabe ao Judiciário orientar suas decisões pelo receio de que investigados utilizem medidas legais como propaganda política. Se esse critério prevalecesse, bastaria a qualquer grupo acusar as instituições de perseguição para tentar paralisar sua atuação.
A pergunta que deveria orientar a discussão não é por que as instituições continuam atuando depois da eleição, mas se havia fundamentos legais para impedir a saída de Flávio e quais providências foram efetivamente adotadas.
Transformar esse episódio em mais uma acusação contra Moraes mostra que Malu Gaspar tem uma estranha obsessão. Do jeito como seus colegas aparecem no vídeo ao lado dela, não será surpresa se eles pedirem asilo a Guga Chacra em Nova York.
