Mandela, Lula e a grande lição que podemos ter da história. Por Carlos Fernandes

Lula e Nelson Mandela. Foto: Divulgação/Twitter

Há exatos 100 anos, no dia 18 de julho de 1918, nascia Nelson Rolihlahla Mandela, o homem que virou uma lenda em todo o mundo pela sua luta pela liberdade de seu povo e contra o regime de apartheid na África do Sul.

De família tribal nobre, Madiba (como era conhecido em referência ao nome de seu clã) abdicou de uma vida tranquila no interior de seu país para se aventurar na grande Johanesburgo onde iniciou sua atuação política.

Como todo revolucionário, foi incompreendido, perseguido, difamado, processado, condenado e preso.

Vítima da influência norte-americana nos altos escalões do poder e da imprensa, a nação sul-africana mandou para a prisão por 27 anos aquele que viria a ser o seu filho mais ilustre e prêmio Nobel da Paz.

É curioso como a história se repete e, no ciclo de sua repetição, repetimos os mesmos erros.

Luiz Inácio Lula da Silva, talvez sem perceber, refez o percurso trilhado pelo grande líder da África do Sul. Retirante dos arrabaldes de um país desigual, foi para um grande centro onde, de forma proletária, iniciou sua militância política.

Da mesma forma perseguido, Lula, o já reconhecido sindicalista e, para muitos, “terrorista comunista” foi ilegalmente preso pela ditadura militar onde passou 31 dias encarcerado.

Uma vez libertado, a exemplo do seu outro no país africano, não desistiu de lutar por uma nação livre e socialmente justa.

Após derrotado em três eleições presidenciais, finalmente chegou à presidência da república de seu país como o homem que mais recebeu votos em todo o planeta.

Ciente dos limites que impõe o sistema político brasileiro, através de um regime de coalizão que transitou entre o possível e o desejável, acabou por realizar uma das maiores revoluções democráticas já vistas em todo o mundo.

A retirada de 36 milhões de brasileiros da pobreza, a elevação de seu país à sexta potência econômica do globo e a exclusão do Brasil do Mapa Mundial da Fome foram feitos jamais imaginados por uma colônia terceiro-mundista.

Não por acaso, após dois mandatos consecutivos onde absolutamente todos os índices sociais tiveram melhorais exponencialmente significativas, o retirante do Nordeste dava por cumprida sua missão para com o seu país sob uma taxa de aprovação popular de inimagináveis 87%.

Mas eis que vítima da mesma influência norte-americana nos mesmos altos escalões do poder e da imprensa, o Brasil volta a repetir os mesmos erros do passado, tanto daqui, quanto dos demais países abaixo da linha do Equador.

Resultado de um golpe jurídico-parlamentar-midiático, o país que agoniza sob um governo desastroso, corrupto e incompetente chega às portas de suas eleições sob o signo da desilusão e da desesperança.

Lula mais uma vez volta ao cenário político nacional. Mais uma vez, como Mandela, é perseguido, processado, condenado e preso.

São paralelos que, resguardadas suas devidas proporções, demonstram a forma como são reprimidas toda e qualquer forma das mínimas ameaças aos privilégios de elite global da era moderna.

Cerrados por essa eterna luta de classes, no dia que comemoramos 100 anos do nascimento de um homem que lutou por um mundo menos desigual, nos envergonhamos com a marca de um pouco mais de 100 dias da prisão de outro homem que também mobilizou esforços pelos mesmos ideais.

A história é realmente curiosa.

Talvez a grande lição que possamos tirar dela é a de que não importa o que se faça com os grandes homens que de fato a fazem.

O que importa é que os seus sonhos sempre serão ecoados pelos séculos e, da mesma forma como sempre existirão os que querem destruí-los, sempre haverá aqueles que os multiplicarão.

Mandela vive. Lula livre.

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