Manifestação em solidariedade aos indígenas brasileiros em Zurique

Foto: Clara Mestrinel

O DCM recebeu a seguinte nota:

Ocorreu nessa quinta-feira, dia 31 de janeiro de 2019, na Paradeplatz, considerada o centro financeiro de Zurique (Suíça), uma manifestação de solidariedade à campanha internacional “Sangue Indígena, Nenhuma Gota a Mais” promovida pela APIB (Articulação dos Povos Indígenas Brasileiros) e articulada pelos povos originários brasileiros. Na Suíça, a manifestação foi realizada pela Swiss Indigenous Network, Incomindios, GfbV (Sociedade a Favor de Povos Ameaçados), Coletivo Grito e BDS Zürich (Boicote, Desinvestimento e Sanções contra Israel).

A manifestação ocorreu pacificamente e contou com discursos de ativistas e representantes das ONGs envolvidas. Durante o evento, foi feito um panorama da atual situação dos povos indígenas no Brasil e do risco iminente de genocídio dos mesmos diante das medidas do atual governo do país. Entre tais medidas estão por exemplo a transferência da competência de demarcação das Terras Indígenas (TI) e distribuição de licenciamentos ambientais para o Ministério da Agricultura e Pecuária, além da transferência da própria FUNAI (Fundação Nacional do Índio) para o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. Outra medida que agrava a situação dos povos originários é o decreto para a flexibilização do porte de armas, que estimula o aumento da violência e ataques de fazendeiros, mineradores e madeireiros contra os indígenas.

Helena Nyberg (Incomindios) e Christoph Wiedmer (GfbV) contextualizam em suas falas a relação da Suíça com a situação dos indígenas, chamando a atenção para a Konzern-Initiativ, que tem como objetivo pressionar grandes multinacionais suíças obrigando-as legalmente a respeitar direitos humanos e a preservação ambiental. Também citam o próximo referendo no cantão de Zurique, que tematiza a privatização da água potável no mesmo. Falou-se também de proteção climática, do grande interesse que a Suíça mostrou na visita de Bolsonaro e seus ministros ao país, na participação da Suíça na exploração dos recursos naturais brasileiros e na importância de dar aos indígenas uma voz em todo o mundo, pois estes estão diante de inimigos gigantes e superpoderosos. Fato é, que a simples existência dos indígenas com sua cultura e tradição de preservação de recursos naturais representa uma ameaça para interesses exclusivamente financeiros de grandes empresas e países “ricos”.

E a mensagem foi passada claramente: “Não se trata apenas de ter pena de povos exóticos lá do outro lado do oceano, mas sim de proteger a nossa saúde, de proteger a vida de nós europeus. Se os indígenas forem exterminados ou expulsos de suas terras, destrói-se biomas importantíssimos como a Amazônia e o Cerrado, sobre os quais existirão apenas pastagens e monoculturas repletas de pesticidas. Todo esse veneno irá chegar a nossa mesa.” A observação chama a atenção para a política de liberação desenfreada de pesticidas, levada a cabo por Tereza Cristina, atual ministra da Agricultura, conhecida como a “musa do veneno”. Diante disso pede-se na manifestação o boicote da carne, assim como da ração transgênica brasileira, produtos de exportação encontrados facilmente no país alpino.

A verdade é que empresas suíças como Nestlé, Syngenta, Glencore e Ruag tiram grande proveito da mudança de poder no Brasil, onde o presidente Bolsonaro anuncia com orgulho o fim da “Amazônia improdutiva”. E a Suíça conhece bem a exploração desenfreada de água e recursos naturais de outros países, oferecendo em troca munições e pesticidas…

Abaixo encontra-se as principais demandas dos povos originários na campanha “Sangue Indígena, Nenhuma Gota a Mais”:

  1. Proteção dos direitos indígenas previstos na Constituição Brasileira; 2. Demarcação das TIs; 3. Garantia dos direitos humanos e combate à violência contra indígena; 4. Reconhecimento dos povos originários e de sua cultura ancestral; 5. Contra a transferência da Funai para o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos; 6. Contra a transferência da demarcação de terras indígenas para o Ministério da Agricultura; 7. Contra a flexibilização e transferência do licenciamento ambiental para o MAPA; 8. Pelo respeito aos tratados internacionais em especial o Acordo de Paris e o direito de consulta e consentimento; 9. Contra o desmonte da Sesai e a municipalização da saúde indígena.
Foto: Ernst Urech
Foto: Ernst Urech
Foto: Clara Mestrinel

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