Manuela D’Ávila fala sobre presença da filha em viagem de campanha e machismo

Publicado na fanpage de Facebook da pré-candidata do PCdoB

POR MANUELA D’ÁVILA

Manuela D’Ávila em campanha com a filha. Foto: Guilherme imbassai/Divulgação

Sexta eu estava em Vitória e fui questionada, por um jornalista, porque eu levo Laura comigo. Eu a levo porque sou sua mãe.

A principal reflexão que fiz, quando decidi ser candidata, foi se conseguiria viver minha maternidade na forma que decidi viver. decidi que sim, criaria condições pra isso.

Nunca vi jornalista/comentarista perguntar quem tá cuidando dos filhos dos políticos que trabalham 7 dias por semana fazendo campanha. Eu e meu marido dividimos responsabilidades totalmente. Laura vai pra escola. Mas nós olhamos o conjunto de minhas agendas e das de Duca e vemos as eventuais idas dela. Sem contar que ela ainda é amamentada (uau! A maluca segue a recomendação da OMS e ainda não desmamou). Por exemplo, ela não ia pra Salvador. Encaixei vitória. Retardaria em um dia minha volta. Decidimos que ela iria. 

Eu adoro quando ela vai. A gente ri e ela está conhecendo um Brasil que é incrível. E também adoro quando ela não vai. Posso jantar com calma, não preciso ir correndo pro quarto de hotel. Também é evidente que fico menos cansada. Quinta, por exemplo, ela decidiu comer tatu de nariz no palco, ao lado do Lula, que perguntou: “e ela come?!?”. Pois e também fez cocô num programa de TV. Acho que todos concordam que ninguém ama passar por isso. 

Essa semana vou viajar todos os dias. Ela não vai nenhum. Vou fazer bate e volta pra dormir em casa. Laura Só viaja comigo no meio de abril, pra roteiros que vão durar mais dias. Mas sabe o que é engraçado? Quando ela não está, as pessoas não percebem a ausência dela. Porque estão acostumadas com a ausência das crianças no espaço público. Porque enquanto um homem brilha construindo a sua carreira, tem uma mãe abrindo mão da sua dentro de casa, cuidando sozinha de tudo. Como disse um desses homens num evento, em que eu estava esses dias, “na minha casa quem manda é uma mulher”. A gente não quer mandar em casa, baby. A gente quer dividir com vocês, pra sobrar tempo igual pra gente brilhar nas mesas de discussão por aí. Porque pra gente brilhar, alguém tem que pegar as crias na escola, baby. 

Então, gente machista desse Brasil varonil: não me perguntem porque levo Laura. Perguntem quem cria os filhos dos candidatos de vocês, beleza?