Marcha de Nikolas foi “marcada pela irresponsabilidade”, diz Lindbergh

Atualizado em 25 de janeiro de 2026 às 18:06
O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias. Foto: Divulgação

O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias, classificou como “irresponsável do início ao fim” a marcha convocada pelo deputado federal Nikolas Ferreira até Brasília, em defesa da libertação dos condenados pelos atos de 8 de janeiro. A avaliação foi feita em publicação nas redes sociais após o encerramento da mobilização, marcado por um temporal e pelo ferimento de dezenas de manifestantes atingidos por um raio.

Segundo ele, a marcha começou com problemas graves de organização e segurança ainda na estrada. Ele afirmou que o grupo caminhou pela BR-040 sem comunicar previamente a Polícia Rodoviária Federal, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes ou outras autoridades responsáveis pela rodovia, o que teria exposto participantes e motoristas a riscos desnecessários.

Na publicação, o deputado relatou que houve fechamento de pista e ocupação da via ao longo do trajeto. “Saiu caminhando pela BR-040 sem comunicar PRF, DNIT ou autoridades competentes, fechou pista, ocupou a via”, escreveu, acrescentando que a situação se agravou com improvisos durante o percurso.

Lindbergh também mencionou episódios que classificou como caóticos, como pousos de helicópteros às margens da rodovia. “Teve até helicóptero pousando na borda da estrada”, afirmou, sustentando que a condução da marcha “brincou com a vida das pessoas”.

No encerramento do ato, já em Brasília, o parlamentar disse que a falta de responsabilidade se repetiu. De acordo com ele, mesmo diante de uma tempestade forte na capital federal, os organizadores não dispersaram os manifestantes concentrados em área aberta.

O desfecho foi a queda de um raio que atingiu participantes da mobilização. Lindbergh afirmou que um “mastro improvisado virou para-raios”, resultando em mais de 30 pessoas levadas a hospitais e oito em estado grave, conforme balanços divulgados pelas autoridades de saúde e resgate.

O líder do PT criticou ainda a postura de Nikolas após o incidente. Segundo ele, o deputado fez “um discurso confuso” e não demonstrou solidariedade às vítimas. “Nikolas fez um discurso confuso sem uma palavra de solidariedade às vítimas”, escreveu.

Na sequência, Lindbergh disse que o parlamentar preferiu atacar o ministro do STF Alexandre de Moraes, afirmar que “é só o começo” e encerrar o ato com uma oração “contra a corrupção”. Para o petista, a escolha do tom teria relação com o que chamou de “escândalo do Banco Master”.

Ele citou o empresário Daniel Vorcaro e mencionou ligações com Fabiano Zettel, a Igreja da Lagoinha e o próprio Nikolas, afirmando que a marcha buscou criar uma “cortina de fumaça”. “A caminhada buscou desviar o foco, mas a cortina de fumaça não ultrapassou a bolha bolsonarista”, escreveu.

Ao final do post, Lindbergh afirmou que “as investigações da PF seguirão” e anunciou reação política nos próximos dias, com campanha no pré-carnaval contra a anistia aos condenados do 8 de janeiro, em defesa do veto presidencial ao PL da Dosimetria e pelo fim da escala 6×1.

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 27 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.