
Marina Lima fez um desabafo dolorido no X: “Estou chocada com a Crítica da Folha de SP sobre meu disco. O cara achou tudo péssimo, não comentou de nenhuma música, disse q Olivia era uma vergonha… q o disco era o pior q eu já fiz. Realmente desanima ler coisas assim;(. Não entendeu nada. Q pena. Q escroto”.
A crítica de João Perassolo alerta que o disco “Ópera Grunkie”, homenagem de Marina ao irmão, o poeta Antonio Cicero, morto por suicídio assistido, não tem “ideias sólidas”.
É um massacre impressionista. A certa altura, ele detona a faixa “Olívia”, “uma das mais constrangedoras”, “música com a sonoridade de uma festa, com gente conversando ao fundo sobre o tilintar de taças”.
“Em seguida, entra e, a certa altura, se dá conta de que o regabofe desandou. Sua amiga justifica, dizendo que a anfitriã é ‘aquariana, né gente, daqui a pouco quer uma coisa, quer outra’”, escreve ele.
“Fora a letra vergonhosa, é inevitável pensar em outras bandas que retrataram a badalação da vida noturna em forma de música com muito mais finesse, como a dupla paulistana No Porn, a banda carioca Vera Fischer Era Clubber e os também paulistanos do Teto Preto”.
Por que, diabos, o leitor deveria conhecer esses nomes do “underground”? (Perdão por ressuscitar essa aberração). É apenas para humilhar Marina e quem está lendo com referências de um crítico mais cool que qualquer mortal jamais será. Se fazia um certo sentido na Ilustrada dos anos 80, hoje é uma piada idiota e pretensiosa.
Estou chocada com a Crítica da Folha de SP sobre meu disco.
O cara achou tudo péssimo, não comentou de nenhuma música, disse q Olivia era uma vergonha… q o disco era o pior q eu já fiz. Realmente desanima ler coisas assim;(.
Não entendeu nada.
Q pena. Q escroto.— Marina Lima (@marinalimax) March 23, 2026
A Folha ainda avisa no pé, no indefectível “Erramos”, que a versão original da resenha confundiu “Virgínia” com “Vejinha”. Pois é.
Eu ouvi a canção. O refrão é melodioso e grudento. É uma crônica social divertida. Pode ser qualquer coisa, mas por que, exatamente, “constrangedor”? Porque o jornalista não gostou, ponto. Mas é esse o critério?
O texto é desnecessariamente violento, mas a culpa é menos do autor do que do lugar onde ele trabalha. É uma vingança. Num vídeo nas redes, Marina Lima é acusada pela Folha de ser “avessa a entrevistas”.
“Durante boa parte do ano passado, o repórter tentou sem sucesso entrevistá-la. À época, a ideia era recontar a trajetória da artista por ocasião de seus 70 anos, comemorados no dia 17 de setembro. Uma data para a conversa foi definida em maio, mas ela desmarcou por questões pessoais. Em setembro, uma nova data e um novo cancelamento. Desta vez em razão dos ensaios de ‘Ópera Grunkie’, disco que chega às plataformas digitais nesta terça-feira”.
De novo, qual a relevância? Nos comentários, outros jornalistas comentam que, simplesmente, não é verdade e pululam relatos de conversas com Marina.
A grande Marina merece uma correção: que é escrota é a Folha, não o crítico. Espero que sirva de inspiração para o próximo trabalho dela. E que não demore.