
Coordenador da campanha presidencial derrotada de Flávio Bolsonaro (PL), o senador Rogério Marinho (PL) ficou fora das conversas sobre a saída do aliado do Brasil. Nesta terça-feira (27), afirmou que não foi consultado e que esperava vê-lo à frente da oposição ao presidente Lula (PT). Segundo O Globo, Marinho soube das informações sobre o deslocamento pela imprensa.
“Então até compreendo caso Flávio tenha saído do Brasil. Não digo que concordo porque não fui consultado”, declarou. No momento da entrevista, o senador disse não ter confirmação do paradeiro do aliado nem informações sobre uma eventual concessão de asilo pelo governo de Donald Trump.
Marinho contou que esteve com Flávio Bolsonaro até as 16h de segunda-feira (26). Os dois discutiram os próximos passos após a derrota, e o coordenador defendia que o candidato aproveitasse os quase 60 milhões de votos recebidos para liderar a oposição. “Fiquei surpreso porque ontem conversamos sobre a necessidade de que Flávio assumisse esse papel de liderança da oposição”, afirmou.
Na manhã seguinte, depois de ser procurado por jornalistas, Marinho tentou falar com o aliado. Recebeu uma mensagem de texto na qual Flávio Bolsonaro dizia que precisava de um tempo e que os dois voltariam a conversar. A resposta não informou onde o senador estava.

A falta de informações também atingiu outros dirigentes e levou o PL a convocar uma reunião de emergência em Brasília. Marinho participou das articulações com o presidente da legenda, Valdemar Costa Neto. No início da manhã, antes das novas declarações, havia negado que Flávio Bolsonaro tivesse deixado o país.
Apesar da reclamação por não ter sido consultado, Marinho procurou justificar uma eventual saída. Criticou as medidas cautelares determinadas por Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), na investigação que envolve Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz. “Me parece uma preparação para uma coisa mais persecutória”, disse, ao questionar a atuação das autoridades.
Perguntado se o aliado poderia comandar a oposição mesmo fora do Brasil, Marinho recorreu à comparação com a venezuelana María Corina Machado, adversária de Nicolás Maduro. “María Corina faz isso há muito tempo”, respondeu.
O senador afirmou ainda que as conversas com dirigentes e parlamentares do PL trataram das eleições para as presidências da Câmara e do Senado, previstas para 2027. Marinho é um dos nomes envolvidos na disputa pelo comando do Senado.