Marrocos desafia a França na Copa com seis jogadores nascidos no país rival

Atualizado em 9 de julho de 2026 às 13:47
Ayyoub Bouaddi com a camisa de Marrocos
Ayyoub Bouaddi com a camisa da seleção marroquina. Foto: Reprodução

Marrocos enfrenta a França nesta quinta-feira (09), pelas quartas de final da Copa do Mundo de 2026, com um dado que aumenta a tensão do confronto: seis jogadores do elenco marroquino nasceram em território francês e escolheram defender o país africano. Com informações de Estadão.

O duelo repete um mata-mata da Copa pela segunda edição seguida, mas em cenário diferente para Marrocos. Em 2022, a seleção tinha dois atletas nascidos na França, Romain Saiss e Sofiane Boufal; agora são seis, e nenhum deles estava no grupo que disputou o Mundial do Catar.

O caso mais citado é o de Ayyoub Bouaddi, de 18 anos, titular da equipe comandada por Mohamed Ouahbi. Nascido em Senlis, na França, o meio-campista passou pelas categorias de base francesas, mas optou por Marrocos graças à ascendência familiar.

Bouaddi chegou a ser capitão da seleção francesa sub-21 mesmo quatro anos abaixo do limite de idade da categoria. Antes de mudar de caminho, recebeu convite dos marroquinos para integrar o elenco que venceu a Copa Africana de Nações, mas recusou a convocação.

Meio-campista ficou sem espaço na França antes da Copa

Deschamps acenando. Foto: REUTERS/Mike Segar

Didier Deschamps acompanhou a ascensão do jogador, que estreou pelo Lille em 2023, aos 16 anos, e já atuou na Liga dos Campeões. A seleção francesa, porém, não abriu vaga para o meio-campista antes do Mundial, em um setor que já tinha nomes como Tchouaméni, Koné e Zaire-Emery.

O auxiliar de Deschamps, Guy Stephan, explicou a avaliação da comissão técnica francesa sobre Bouaddi antes da decisão do atleta. “Já temos muito talento no meio-campo”, disse, ao tratar o jogador como uma opção para o futuro da França.

Além de Bouaddi, Marrocos conta nesta Copa com Issa Diop, Redouane Halhal, Neil El-Aynaoui, Samir El-Mourabet e Gessime Yassine, todos nascidos na França. A presença deles reflete a força da diáspora marroquina no país europeu, antigo colonizador e destino de comunidades numerosas, principalmente na região metropolitana de Paris e no sul francês.

As regras da Fifa também facilitaram escolhas desse tipo. Desde 2004, jogadores que atuaram por uma seleção nas categorias de base podem trocar de país no futebol profissional se tiverem vínculo claro com a nova equipe, como pais ou avós nascidos naquele território.

A norma ficou mais flexível com o passar dos anos: hoje, apesar da exigência de cinco anos de residência para alguns casos, atletas podem disputar até três partidas pela seleção principal antes dos 21 anos e ainda mudar de equipe nacional, desde que cumpram os critérios de elegibilidade.

Na Copa do Mundo de 2026, 28 das 48 seleções tiveram ao menos um jogador naturalizado ou nascido fora do país que representam, somando 254 atletas. Marrocos reúne 19 nomes nessa condição, acima dos 13 que integraram a campanha histórica até a semifinal em 2022.

A partida entre França e Marrocos está marcada para as 17h, no horário de Brasília. Quem avançar enfrentará o vencedor de Espanha x Bélgica; do outro lado da chave, Noruega x Inglaterra e Argentina x Suíça disputam as outras vagas na semifinal.

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