
O perito da Polícia Federal João Cláudio Nabas procurou uma delegada envolvida nas investigações sobre o Banco Master e afirmou que mantinha uma relação antiga com a jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo. A informação é do ICL Notícias.
Segundo a apuração, Nabas abordou a delegada pessoalmente e retomou o contato dias depois por mensagens. Nos diálogos, ele teria dito que atuava como fonte da colunista havia anos e que costumava repassar-lhe informações. Em uma das conversas, também teria sugerido que a delegada compartilhasse dados relacionados ao inquérito.
A delegada comunicou o episódio aos superiores e apresentou as mensagens recebidas. O caso passou a integrar os elementos analisados internamente pela Polícia Federal e contribuiu para o aprofundamento das suspeitas sobre a atuação dele, posteriormente alvo da 7ª fase da Operação Compliance Zero. autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.
A PF apura um possível vazamento de documentos sigilosos extraídos do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Entre os arquivos analisados estão documentos identificados como “Moraes” e “Toffoli”, que chegaram à imprensa durante o andamento da investigação.
Após a abordagem à delegada, investigadores passaram a analisar acessos de Nabas a sistemas internos da Polícia Federal, registros de consultas e equipamentos eletrônicos ligados ao perito. O conjunto de informações embasou as diligências realizadas na nova fase da Operação Compliance Zero.
Com cerca de duas décadas de carreira na corporação, Nabas atuou na área de perícia relacionada a crimes financeiros e previdência complementar. Em 2023, concluiu mestrado na Universidade de Brasília com uma dissertação sobre fraudes em fundos de investimento ligados aos Regimes Próprios de Previdência Social, tema relacionado a uma das linhas investigativas do caso Banco Master.
No pedido de busca e apreensão, conta o Estadão, a Polícia Federal afirmou que Nabas “de fato criou os documentos relacionados aos magistrados” e que “a análise dos metadados e conteúdos de tais manuscritos reforçou os indícios de que Nabas organizou e repassou à imprensa os dados sigilosos referentes às informações sobre os ministros do STF encontrados no celular apreendido de Daniel Vorcaro”.
A corporação também sustentou que o perito “direcionou seus esforços em sentido contrário ao escopo precípuo das investigações, buscando, no material objeto de análise, supostos elementos desabonadores de ministros desta Suprema Corte, com o intuito comprovado de publicizar tais informações por meio da imprensa nacional”.

Reportagem da Revista Fórum apontou ainda que o perito compartilhou em redes sociais publicações favoráveis a nomes do bolsonarismo, como o senador Sergio Moro (União Brasil-PR) e o deputado Marcel Van Hattem (Novo-RS). De acordo com o JornalGGN, o histórico digital do servidor revela um alinhamento público e reiterado às principais bandeiras da Operação Lava Jato.
Em junho de 2020, diz o GGN, Nabas compartilhou uma postagem em que Moro respondia a apoiadores com a frase “Boas causas nunca estão isoladas, não se preocupe”. O tuíte do ex-juiz foi publicado após análises que apontavam seu isolamento político naquele período.