Mauro Vieira rebate EUA e diz que argumentos para tarifar Brasil “não são legítimos”

Atualizado em 4 de junho de 2026 às 12:51
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou nesta quinta-feira (4) que os argumentos apresentados pelos Estados Unidos para justificar novas tarifas sobre produtos brasileiros não têm fundamento. Segundo o chanceler, o governo brasileiro já enviou informações às autoridades estadunidenses para contestar as investigações comerciais em andamento.

Ao comentar o tema, Vieira declarou que o Brasil respondeu aos questionamentos feitos pelos Estados Unidos e espera que os esclarecimentos sejam considerados antes de qualquer decisão. “Demos todas as informações necessárias. O que nós esperamos é que isso tudo seja levado em conta e que fique comprovado que não há porquê sermos objeto de tarifas, porque todos os argumentos apresentados nós provamos que não são legítimos”, afirmou.

O ministro também disse que o governo brasileiro pretende manter o diálogo com Washington após a divulgação dos relatórios finais das investigações relacionadas à Seção 301 da legislação comercial dos Estados Unidos. “Eu disse que era nosso interesse manter conversas, sobretudo depois do anúncio dos laudos, dos relatórios finais das duas investigações sobre a Seção 301”, declarou.

Mauro Vieira e Marco Rubio em Vaux-de-Cernay, na França. Foto: reprodução

As investigações foram concluídas pelo governo do presidente Donald Trump e apontaram que 60 economias, incluindo o Brasil, teriam falhado em impedir a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Com base nessa conclusão, foi proposta uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros.

Além disso, os Estados Unidos propuseram uma tarifa extra de 10% para países e blocos econômicos que possuem restrições parciais ou acordos específicos relacionados ao tema. A proposta ainda passará por consulta pública até 6 de julho, antes da realização de audiências previstas para o dia seguinte.

O governo brasileiro segue apostando na negociação diplomática para evitar as novas cobranças. Segundo estimativas da Câmara Americana de Comércio para o Brasil, cerca de US$ 15 bilhões em exportações brasileiras poderão ser afetados caso a tarifa adicional de 25% discutida pelos Estados Unidos seja efetivamente implementada.

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