MC Kevin, o menino que encantou a quebrada

MC Kevin morreu aos 23 anos

MC Kevin morreu aos 23 anos, no auge da carreira.

O cantor tinha acabado de romper com a gravadora GR6 Eventos, da qual fez parte desde o início de sua caminhada, para montar sua própria produtora.

Sucesso desde 2013, ele foi um dos poucos artistas do funk que conseguiram se manter em alta durante mais de 8 anos, num cenário em que muitos perdem a relevância em pouco tempo.

Além do carisma inigualável, seu canto rouco e melódico marcou a geração do funk ostentação em São Paulo.

Mas a música de Kevin é muito mais que isso. Suas letras variam entre conquistas amorosas e histórias de superação na vida da periferia.

Hits como “Cavalo de Tróia”, que tem mais de 160 milhões de views no YouTube, e “O menino encantou a quebrada” narram a vitória do MC em meio ao cotidiano difícil nas favelas de SP.

O cantor estourou diversas músicas que são ouvidas até hoje, como “Vera Cruz”, “Jogo de Palavras”, “Cheguei na Humildade”, “Amassa Placa”, “Dentro da Evoke”, “Dama da Cama”, “Meu Olhar”, “Pra Comemorar” “Novinha Quer Mamar”, “Coração na Geladeira”, “A Boca Dela”, “Linda Garota” e “Pra Inveja é Tchau”, que foi o funk mais tocado do ano de 2018.

Ele também fez parcerias com rappers da cidade, unindo o rap e o funk no sucesso “Vergonha pra Mídia”, liderado por Salvador da Rima.

Não mais levando a sério, pois hoje não é mais questão / Dinheiro já foi mistério, pois não nasci com cifrão / Fui à luta com o desejo do mistério desvendar / Hoje a forma é exclusiva e a rotina é classe A”, diz a letra de “Cavalo de Tróia”.

E não dá nada / O menino encantou a quebrada / Tô na laje, o meu dedo rasga / Empinando pipa, desbicando raia”, canta ele em “O menino encantou a quebrada”, trazendo memórias de sua infância.

São canções autobiográficas, que contam a trajetória percorrida pelo cantor para chegar onde chegou.

Quem tem preconceito com o funk acaba ignorando a oportunidade que o estilo musical oferece para tirar pessoas como MC Kevin da criminalidade e permitir que ele deixe de morar num barraco para comprar um apartamento de luxo.

Na época em que ele começou a fazer sucesso, o maior sonho de um menino da quebrada era ser jogador de futebol. Hoje, graças à geração de Kevin, muitos daqueles que queriam ser jogador de futebol, sonham em ser MC.

No início da carreira, o funkeiro prometeu a sua mãe que nunca mais iriam pagar aluguel e que viraria o homem da casa.

Dito e feito. Em 2013, ele foi contratado pela GR6 Eventos, maior produtora de funk do estado de SP, e lançou com MC Pedrinho a música “Prepara Novinha”, que explodiu em todos os cantos.

Muito popular nas redes sociais, com quase 10 milhões de seguidores no Instagram, Kevin sempre fazia questão de mostrar seu carinho pela mãe, Valquíria Nascimento, que era também sua empresária, e pela mulher, Deolane Bezerra, com quem tinha se casado no fim do mês passado.

Mas seu estilo de vida hedonista, com muito álcool e festas, resultou numa tragédia imensurável. Ontem, ele faleceu após cair do 5º andar de um hotel na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, em circunstâncias ainda misteriosas.

Com sua personalidade marcante e seu jeito extrovertido, o cantor popularizou o bordão “esquece”. Mas mesmo que ele peça, o legado que MC Kevin deixa para o funk nunca será esquecido.

Conheça alguns sucessos do cantor:

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