Me acabei no Clube das Mulheres

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Era despedida de solteira de uma amiga da Eliza. Segundo ela, o evento ia rolar em um lugar onde a mulherada ficava louca. Os relatos que li na internet eram todos bem engraçados. Não sabia o que esperar daquele Clube das Mulheres.

Logo na entrada da boate, ouvi uma série de gritos ininteligíveis de um mestre de cerimônias de voz aguda, entoado por uma infinidade de berros histéricos. Avisaram-me que o primeiro strip já tinha começado. Saí atrás daquele barulho e, no fundo do salão, encontrei uma porta de isolamento acústico. Um rapaz de sunga vermelha e barriga tanquinho à mostra estava sobre o palco diante de uma garota risonha e uma travesti de vestido rodado.

Foi o final do primeiro show. A escuridão não me deixou ver bem o rosto do go-go boy, mas se destacavam os contornos do seu corpo em plena forma, de peitoral em riste e braços fortes. Quando ele se foi, a mulherada ocupou o salão lá fora. Um grupinho de meia dúzia se agarrou ao mastro de pole dance a fim de posar para uma foto. Outra garota, num canto, jogava cabelo na cara diante do espelho, para tirar um egoshot com o iPhone. Ninguém ali parecia ter medo do ridículo.

Júlia, a promoter, foi me apresentar a casa. Contou que ali funciona um club de swing já tradicional do Rio de Janeiro, onde ela produz o Clube do Batom a cada quinze dias. Disse que as suas festas estão sempre cheias. “Faço tudo com muito cuidado”, é ao que ela atribui o sucesso do evento. No andar de cima, havia uma sala com uma maquiadora, para garotas que quisessem se produzir melhor. A sala ao lado foi transformada em um estúdio, com uma fotógrafa profissional e outra produtora, responsáveis pelos ensaios sensuais das frequentadoras. Bem no fundo daquele andar, em outra sala, um massagista oferecia massagem tailandesa. “Você pode fazer sem blusa, se quiser” sugeriu Júlia. “E aqui será a sala de interações com um modelo”, revelou, apontando para uma porta no corredor. “O tema da noite é terror. Então aqui vou fazer o Calabouço das Ninfas”. Fiquei super interessada.

Um novo show foi anunciado, então corri para o palco. Sob ele, um monte de mulheres já se acotovelavam. Quando um stripper entrou em cena fantasiado de Freddy Krueger, foi uma comoção. Elas estavam ensandecidas. O que ele fazia com as garotas que puxava para o palco era de fato surpreendente. Começou esfregando a cabeça de várias delas entre suas pernas. Depois pegou uma pelo braço e a levantou sobre a sua cabeça, fazendo com ela verdadeiras acrobacias. Colocou-a de cabeça para baixo, na posição do 69, virou-a de novo, jogou-a contra a parede. Despiu sua capa e colocou a mão dela dentro da sua calça. Achei que ele ficaria só de sunga, mas não. O grande final foi quando aquele homem enorme pôs para fora seu pau quase ereto. Curioso ver um cara sendo objetificado dessa forma. Se não fosse pela histeria do público, eu já estava me sentindo como um macho.

Eliza chegou e a chamei para me acompanhar na fila do Calabouço das Ninfas. As meninas entravam todas vendadas. “Benvinda ao Calabouço” sussurrou uma voz demoníaca ao meu ouvido, assim que entrei na sala, de vendas nos olhos. Era o mesmo modelo do último show. Violentamente, ele prendeu meus pulsos em algemas na parede e me colocou de bunda empinada, roçando sua sunga no meio de minhas pernas. Deu para sentir que ele continuava semi ereto. Dei uma risada e entrei na brincadeira, remexendo os quadris contra seu corpo. Ele me deu mordidinhas na dobra do bumbum e desceu deslizando seus lábios ao longo da minha coxa. Então pôs um instrumento de fazer cafuné em minha cabeça e continuou a se esfregar e a me tocar. Aproveitei para sentir com as mãos as formas bem definidas do seu peitoral. Pouco depois, ele se desculpou e disse que precisava encerrar. Achei mesmo uma pena. Demos um selinho e saí pela porta me abanando.

Ao descer para o bar, encontrei outra amiga, a Clauky. O tequileiro, que tinha sido o stripper do primeiro show, ofereceu-nos um shot. Decidimos aceitar. “Vocês querem com interação?”, perguntou ele, apontando para o próprio corpo. Clauky se prontificou. “Sou cabacinha, quero tudo!”. Ele serviu três doses, pegou alguns limões e nos levou para um sofá. Reclinou-se sobre ele de pernas abertas e peitoral estufado. Olhou para a minha amiga e apontou: “Quer que eu passe limão no mamilo?” Ela não teve dúvidas. Arregalou os olhos e proferiu: “Quero!”, bem decidida. Ele pôs um limão entre os dentes, esfregou sal no próprio peito e levou a boca dela até ele. Depois derramou tequila em seu corpo, para que ela bebesse ali. Beijou-a, espremendo o limão dentro de sua boca. Então ela emitiu um gemido e se jogou na poltrona detrás dela. Eliza me olhou com expressão de espanto. “Você viu isso? Ela caiu para trás!” Ri muito.

Quando chegou minha vez, sentei-me ao seu colo e avisei: “Quero na boquinha”. Ele serviu minha dose gentilmente e também espremeu o limão com os dentes dentro da minha boca. Eliza preferiu se servir sozinha. Clauky parecia uma criança solta em um parque de diversões. Em dado momento, ela sumiu. Foi voltar somente uma hora depois, em polvorosa. Contou que fez uma sessão de fotos, foi ao massagista e ainda comprou um vibrador bullet para levar para casa. “Esse é para eu usar sozinha”.

Enquanto isso, levei Eliza para assistir comigo ao último show. No palco, encostado à parede, havia um modelo negro de cabelo raspado e tatuagens no peito, usando apenas um calção. A apresentadora chamava todas as mulheres de “possuídas” – bem que elas pareciam mesmo endemoniadas. Convidou uma garota lá em cima e mandou ela se ajoelhar ao seu lado. “Faz au au”, dizia a travesti. A moça obedeceu. “Faz miau”, e a menina miou. “Faz ronc-ronc” – sim, ela imitou um porquinho. “O que a gente não faz por uma piroca, não é mesmo?”, caçoou a mestre de cerimônias.

No encerramento da noite, ela chamou todos os strippers para o palco. Eles vieram apenas de sunga, cada um empunhando uma garrafa de tequila. As garotas iam se revezando nas mãos deles, que se roçavam e pegavam nelas de todas as formas. Eliza, que é lésbica, estava chocada. “Nunca vi isso”, confessou. “Eu sou que nem esses caras. Gosto de pegar as mulheres assim também”, senti uma pontinha de inveja no jeito dela falar.

Ela apontou para o modelo que estava no Calabouço e deu o parecer: “Ele que é o showman”. De fato, o rapaz parecia um ator pornô acrobático em cena. Subi as escadas do palco a fim de me pegar com ele. Enquanto ele segurava as garotas da plateia pelos cabelos, finquei minhas unhas em suas costas. “Não me arranha”, advertiu, sério. Segurou em minha cintura e me colocou sentada em seus ombros, com minha virilha bem na sua boca. Pus a mão em seu couro cabeludo e me rebolei um pouco naquela posição. Em seguida, ele me mandou segurar em seu pescoço, posicionou-me diante dele de pernas abertas e me bateu como um pilão contra o seu quadril. Divertida a cara selvagem que ele fazia, de boca aberta e dentes à mostra. Depois me prendeu contra o mastro e quis entornar tequila em minha garganta, mas não deixei. Então me jogou pelos cabelos para fora dali.

Saímos as três gargalhando. Sem dúvida, foi uma experiência inusitada e cheia de surpresas.

Veredito: O Clube das Mulheres aguça mais as vontades do que satisfaz. Mesmo assim, é catártico. Um ótimo programa para se divertir com as amigas.

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