Médica que recebeu 3 doses da vacina contra Covid-19 tem 15 dias para se manifestar, determina MP

Vacina da Pfizer contra covid-19

POR DANIEL CÉSAR

O Ministério Público de São Paulo determinou que a médica que recebeu três doses da vacina contra Covid-19 preste esclarecimentos sobre o fato em 15 dias. O MP assumiu o caso após a Prefeitura de São José do Rio Preto (SP) denunciar o episódio, que confirmou que a profissional tomou uma dose da Pfizer durante a fase da campanha para pessoas com 58 anos.

A Administração explicou que o sistema estava fora do ar e não foi possível verificar se ela já havia sido imunizada com duas doses da Coronavac por ser profissional da linha de frente. Por conta disso, acabou que a funcionária da saúde recebesse três vezes a vacinação.

Já a médica explicou para Prefeitura que ela fez parte do grupo de estudos da Famerp (Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto) e foi uma das voluntárias do período de teste da Coronavac no município. A profissional também contou que foi autorizada a receber a terceira dose, fato negado pelo Instituto Butantan.

Ela ainda teria dito que, depois dos testes mostrarem que estava com os anticorpos neutralizantes baixos, tomou a vacina da Pfizer porque era sua vez na fila determinada pelo governo de SP (faixa de 58 anos).

A médica garantiu que vai apresentar um contrato de confidencialidade com o Instuto Butantan que supostamente garante aos voluntários a autorização de receber a vacina na fila comum.

Prefeitura de Rio Preto e sua manifestação

Em nota, a Prefeitura de Rio Preto explicou que a terceira dose da vacina aconteceu porque o sistema de saúde apresentou falha. Depois que o sistema voltou ao normal, os dados foram confrontados e identificados a possível irregularidade. Por conta disso, o caso foi entregue ao MP para investigação.

“Todos os municípios recebem as doses de vacinas contra covid-19 com as devidas orientações quanto à aplicação dos imunizantes, bem como a conferência e cadastro dos dados de cada pessoa vacinada na plataforma estadual VaciVida. Compete também aos municípios monitorar e tomar as providências diante de eventuais situações de aplicação inadequada”, diz trecho da nota.

O Instituto Butantan declarou que “o estudo da Coronavac de fase 3, realizado no Brasil, é um estudo duplo cego, em que metade dos voluntários recebeu vacina e metade placebo, durante os testes.

Mas nem os voluntários, nem quem aplicou sabia se estava recebendo vacina ou placebo. Depois de finalizados os testes, os voluntários puderam procurar os Centros de Pesquisas, para saber se haviam tomado a vacina ou o placebo, se tomaram as duas doses da vacina estavam imunizados, se tomaram o placebo, eles teriam direito de tomar as duas doses da Coronavac depois, era facultado o direito, eles poderiam aceitar ou recusar.

Todos os que receberam as duas doses da Coronavac nos testes estão imunizados, não há necessidade e nem previsão, nem acordo feito com os voluntários de que poderiam, mesmo tendo tomado as duas doses da Coronavac, depois tomar outra vacina”.