“Médico fake”: quem é o amigo de Marçal que fraudou laudo de Boulos

Atualizado em 31 de março de 2026 às 16:55
Pablo Marçal e Luiz Teixeira da Silva Junior

Preso nesta terça (31) por suspeita de integrar grupo criminoso responsável por fraudar o inventário do fundador do grupo Unip/Objetivo, o biomédico e empresário Luiz Teixeira da Silva Junior ficou conhecido em 2024 após fraudar um laudo médico sobre a internação do candidato à Prefeitura de São Paulo, Guilherme Boulos (PSOL), devido ao uso de cocaína, e entregar o documento a Pablo Marçal (PRTB).

Formado em Biomedicina, Teixeira foi proprietário da clínica Mais Consultas, localizada em Itaquera, São Paulo, e já foi denunciado por tentar se passar por médico ao apresentar documentos falsificados para obter o registro no Conselho Regional de Medicina (CRM).

Ele foi condenado por utilizar um diploma e ata de colação de grau falsificados, com o intuito de se registrar como médico. A sentença, de 2020, foi de 2 anos e 4 meses de prisão por falsificação de documentos públicos, mas acabou cumprindo apenas 840 horas de serviços comunitários e pegando uma multa.

Teixeira falsificou informações sobre seu histórico acadêmico, alegando ter cursado Medicina na Universidade de São Paulo (USP) e realizado residência no Hospital das Clínicas, algo que foi desmentido. O Centro Universitário Serra dos Órgãos (Unifeso) confirmou que ele nunca estudou na instituição e que o diploma que apresentou não era verdadeiro.

Guilherme Boulos e Pablo Marçal. Foto: Reprodução

O laudo fraudulento que fez o biomédico ficar famoso foi criado durante a campanha eleitoral de 2024. Na ocasião, ele emitiu um documento que associava Boulos ao uso de cocaína usando a assinatura falsificada de um médico que já estava morto.

Marçal tentou se distanciar do autor do documento à época, mas ele é próximo de Teixeira. O biomédico já chamou o ex-coach de “paciente querido” nas redes sociais, onde se apresentava como “Dr. Luiz Teixeira”, e exibia diversas fotos ao lado dele no Instagram, desativado em outubro de 2024.

O caso que motivou sua prisão envolve uma tentativa de desvio de R$ 845 milhões do espólio do fundador do grupo Unip/Objetivo, João Carlos Di Genio. O grupo criminoso faz parte da empresa Colonizadora Planalto Paulista.

Segundo as investigações, os suspeitos montaram uma “fábrica de documentos falsos” e utilizaram uma câmara arbitral de fachada, batizada de Fórum de Negócios e Finanças Internacionais e Nacionais por Arbitragem e Mediação (Fonamsp) para simular dívidas milionárias inexistentes. Teixeira é detentor de 95% do capital social da companhia.

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.