Medida contra PCC e CV não surgiu de pedido de Flávio Bolsonaro, diz Casa Branca

Atualizado em 29 de maio de 2026 às 21:26
Flávio Bolsonaro Trump
O pré-candidato a presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Foto: Reprodução/X (@FlavioBolsonaro)

A porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Amanda Roberson, negou que a decisão de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho como organizações terroristas tenha sido influenciada por pedidos de políticos brasileiros, incluindo Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em entrevista ao Estadão/Broadcast, ela afirmou que a medida foi resultado de um processo interno do governo Donald Trump.

A declaração esfria a versão usada por Flávio Bolsonaro após a viagem aos Estados Unidos. O senador afirmou ter pedido a Donald Trump e a integrantes do governo estadunidense a inclusão das facções brasileiras na lista de organizações terroristas. Segundo Roberson, porém, a decisão coube ao presidente dos Estados Unidos e à sua equipe. “É só o presidente Trump mesmo que toma a decisão”, disse.

A porta-voz afirmou que o enquadramento do PCC e do Comando Vermelho vinha sendo analisado havia meses e exigiu investigação conduzida por especialistas do governo estadunidense. “Não é algo que se faz de um dia para o outro”, declarou. O Departamento de Estado anunciou a designação das duas facções como Organizações Terroristas Estrangeiras e Terroristas Globais Especialmente Designados na quinta-feira (28).

Roberson também disse que a decisão dificilmente será revertida. “Normalmente designações deste tipo não são revertidas”, afirmou, ao ser questionada sobre eventual revisão futura. A medida passa a valer em 5 de junho e prevê restrições de visto, bloqueio de bens sob jurisdição dos Estados Unidos, proibição de transações e criminalização de apoio material ou recursos às facções.

PCC CV Estados Unidos
A porta-voz do Departamento do Estado dos Estados Unidos, Amanda Roberson. Foto: Reprodução

A representante do Departamento de Estado tentou afastar temores de que empresas brasileiras sem vínculo com PCC e Comando Vermelho sejam atingidas. Segundo ela, as designações se aplicam às atividades relacionadas aos dois grupos. Roberson disse que pessoas e empresas que “não têm nada a ver” com as facções não farão parte das medidas.

A porta-voz também negou que a classificação abra caminho automático para ações militares dos Estados Unidos no Brasil. “Essas designações não têm nenhuma consequência com o militar, nada assim”, afirmou. Segundo ela, Washington espera manter a cooperação em segurança com o Brasil, mas cabe ao governo brasileiro decidir suas ações com base nas leis nacionais.

A fala ocorre em meio à reação do governo Lula, que vê risco de interferência externa e de impacto econômico para o Brasil. Questionada sobre contatos prévios com Brasília, Roberson disse que os Estados Unidos mantêm diálogo constante com autoridades brasileiras sobre segurança, mas negou que o Planalto tenha sido avisado com antecedência.

Laura Jordão
Estudante de Sociologia e Política na Fundação Escola de Sociologia e Política e estagiária pelo Diário do Centro do Mundo. Adoro ciclismo, e busco estudar sobre mobilidade urbana e políticas públicas.