Medíocre, ignorante e presunçoso, Mario Frias é o canastrão ideal para a era Bolsonaro. Por Kiko Nogueira

Mario Frias em frente a retrato de rei belga em peça sobre os heróis nacionais

Mario Frias é a cara escarrada do governo Bolsonaro.

Um ator medíocre e ignorante que farejou, como um urubu, a oportunidade de “brilhar” no palco de um governo que cultua a violência e a estupidez.

O sujeito é a estrela de uma websérie chamada “Um povo heroico”, produzida pela Secom.

Num teaser divulgado na sexta, o secretário de Cultura aparece andando pelo Museu do Senado, criado em 1991 para receber o acervo de arte e mobiliário guardado entre 1925 e 1960 no Palácio Monroe, joia demolida em 1976.

O comercial a sair no 7 de setembro pretende, nas palavras de Frias, narrar “uma história tão bela e grandiosa quanto desprezada e vilipendiada por anos de destruição da identidade nacional”.

Ele para diante de Dom Pedro II, de sua filha Isabel — e de um rei europeu.

“Retrato do rei Alberto da Bélgica” foi trazido ao Brasil em 1920, quando Alberto I visitou o país, e mostra o monarca em trajes da Primeira Guerra Mundial.

O ufanismo mequetrefe e a atuação de Mario são uma peça de humor involuntário.

Há um tradutor de libras em primeiro plano, de branco, que aparece muito mais que ele por contraste.

A poltrona que escolheram, grande demais, o engole quando se senta. Ele se atrapalha com o teleprompter.

Marcelo Adnet nem deveria ter se dado ao trabalho de satirizar essa piada.

Ele o fez, mesmo assim, e Mario não gostou.

“Garoto frouxo e sem futuro”, começa ele num ataque no Instagram, para terminar com uma bravata: “Onde eu cresci ele não durava um minuto”.

Mario Frias, como se deduz, cresceu entre homens verdadeiros coçando o saco, se batendo no saco e sabe Deus mais o quê.

Coisa de macho. Adnet é só mais um artista viadinho, como diz o chefe.

Mario substituiu Regina Duarte, a que foi sem nunca ter sido.

Para não cair em desgraça como ela, se desdobra em puxassaquismo e louvação ao líder do fascio.

Suas redes pouco citam realizações de sua área. Não tem um livro, um filme, nada.

Há somente imagens de Bolsonaro fazendo bolsonarices e ataques a adversários como Wilson Witzel.

O Brasil, que já teve Gilberto Gil à frente da Cultura, agora conta com um arremedo de Cigano Igor. Nós merecemos.

View this post on Instagram

O Brasil tem História. Uma História com verdadeiros líderes, respeitados intelectuais e grandes heróis nacionais. Alguns, conhecidos; muitos, ignorados. Uma História tão bela e grandiosa quanto desprezada e vilipendiada por anos de destruição da identidade nacional. Às vésperas do SETE DE SETEMBRO, iniciamos a série UM POVO HEROICO. Começaremos honrando a memória de heróis anônimos, com ápice no dia 5/9, cinco anos de um ato de extrema bravura, sacrifício e amor ao próximo de um morador de rua na Praça da Sé. Depois, lembraremos os Pracinhas que combateram a tirania do nazismo (maior mal do mundo moderno, ao lado do comunismo). Por fim, falaremos de grandes heróis nacionais, que moldaram nossa História e nossa identidade, deixando legados eternos. O Brasil tem identidade. Uma identidade nacional erigida com amor ao próximo e à pátria, com devoção, sacrifício e bondade. Com Fé, Esperança e Caridade. Nossa identidade é a identidade de #UmPovoHeroico. E nossa História merece ser contada! Com seus valores e exemplos, os heróis anônimos da atualidade fazem-nos olhar para os grandes heróis do nosso passado. Percebemos, então, que somos #UmPovoHeroico. #SemanaBrasil #SemanaDaPatria #7deSetembro #PatriaAmadaBrasil

A post shared by Mario Frias🇧🇷 (@mariofriasoficial) on

 

O jornalismo do DCM precisa de você para continuar marcando ponto na vida nacional. Faça doação para o site. Sua colaboração é fundamental para seguirmos combatendo o bom combate com a independência que você conhece. A partir de R$ 10, você pode fazer a diferença. Muito Obrigado!