
O casal que ficou noivo em um shopping de Araraquara (SP) passou a sofrer ataques homofóbicos após a divulgação do pedido de casamento nas redes sociais. O comerciante Marcelo Henrique Christinelli pediu o companheiro Guilherme Furlan em casamento no local onde os dois se conheceram, e o vídeo do momento, gravado por familiares, viralizou e gerou uma onda de ofensas, de acordo com o uol.
O pedido aconteceu no dia 18, dentro de um shopping da cidade, e foi publicado por Marcelo em suas redes sociais. A gravação rapidamente ultrapassou o círculo pessoal do casal e passou a circular em portais locais e nacionais. Em poucos dias, um dos vídeos alcançou quase 2 milhões de visualizações, com milhares de comentários e compartilhamentos.
Após pedido de casamento em shopping, casal gay sofre ataques homofóbicos e registra B.O https://t.co/qu8QnoDHnd #g1 pic.twitter.com/HHYytTyUIX
— g1 (@g1) January 22, 2026
Com a repercussão, vieram também mensagens de ódio. Segundo Marcelo, o casal passou a receber “muitos ataques de homofobia, dizendo que a gente ia transmitir AIDS, (…) dizendo que aquilo era uma aberração, misturando política com homofobia”. Ele relatou medo, sofrimento e constrangimento diante da exposição inesperada.

Registro de ocorrência e medidas judiciais
Diante das ofensas, Marcelo registrou um boletim de ocorrência no dia 19 e acionou um advogado para processar criminalmente os autores dos comentários.
“Estamos muito angustiados. (…) A gente tem até medo de casar, depois de tantos ataques. (…) Sempre fomos reservados. Essa decisão de pedir o Guilherme em casamento foi o primeiro ato em público que eu fiz, e deu essa repercussão. A gente não fez nada de mais, e ninguém tem que aceitar, (…) só cabe às outras pessoas respeitar”, afirmou ao UOL.
A delegacia registrou o caso “a título não criminal”, e Marcelo disse que ainda não foi procurado por autoridades. “Eu não tive apoio de nenhum órgão. (…) Absolutamente ninguém entrou em contato comigo para nos direcionar, para saber o que teria de ser feito. Estou com um advogado, a gente fez o boletim de ocorrência e agora estou aguardando”, declarou.
Homofobia é crime no Brasil
Desde 2019, a homofobia é considerada crime no Brasil após decisão do Supremo Tribunal Federal. A prática passou a ser enquadrada na Lei de Racismo (Lei 7.716/89), que pune atos de discriminação ou preconceito por orientação sexual ou identidade de gênero.
A pena prevista varia de um a três anos de prisão, além de multa, podendo chegar a cinco anos quando há divulgação das ofensas em meios de comunicação ou redes sociais.