Meloni diz que Europa deve dialogar com a Rússia: “Isso é geopolítica”

Atualizado em 10 de janeiro de 2026 às 10:08
A primeira-ministra da Itália Giorgia Meloni, durante coletiva de imprensa em Roma. Foto: reprodução/ANSA

A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, afirmou na sexta-feira (9) que a União Europeia deve retomar o diálogo de alto nível com a Rússia, enquanto Bruxelas busca encerrar a guerra na Ucrânia, pedindo a nomeação de um enviado especial.

“Acho que chegou a hora de a Europa conversar com a Rússia”, disse Meloni em coletiva de imprensa de Ano Novo em Roma. “Porque se a Europa decidir participar dessa fase das negociações em andamento, falando com apenas uma das partes envolvidas… a contribuição positiva que pode oferecer será limitada.”

Ela declarou estar de acordo com o presidente francês Emmanuel Macron, que, em dezembro, afirmou que seria “útil” para a Europa retomar o diálogo com o presidente russo Vladimir Putin sobre a guerra na Ucrânia.

Desde a invasão da Rússia em fevereiro de 2022, os contatos entre a UE e a Rússia estão efetivamente suspensos, e Washington assumiu a liderança nas negociações para acabar com o conflito. Isso deixou os líderes europeus em uma posição difícil, tentando moldar os esforços do presidente dos EUA, Donald Trump.

Meloni mencionou que é difícil saber quem, do lado da UE, estaria envolvido nas conversas. “Temos esse problema desde o início das negociações. Há muitas vozes se pronunciando, muitos formatos existem”, afirmou.

“Por isso, sempre fui a favor da nomeação de um enviado especial europeu para a questão da Ucrânia… alguém que resuma, nos permita falar com uma única voz.”

No entanto, ela disse que ainda é cedo para falar sobre a possibilidade de a Rússia ser reintegrada ao que atualmente é o Grupo dos Sete (G7), mas que anteriormente era o Grupo dos Oito (G8) das nações desenvolvidas.

“Hoje, me parece impossível que, por exemplo, a Rússia se junte ao G7”, afirmou. Meloni tem sido uma forte apoiadora da Ucrânia desde o início da guerra.

Ela ainda declarou que não acredita que os Estados Unidos usariam força militar para tomar a Groenlândia, e alertou que qualquer ação desse tipo teria consequências graves para a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte). Para ela, uma operação assim “não seria do interesse de ninguém”, incluindo os próprios EUA.
Meloni criticou aquele que defendem um afastamento do governo Trump por não ver saída.

“Isso é geopolítica. O que devemos fazer? Devemos fechar as bases americanas? Devemos romper relações comerciais? Deveríamos invadir o McDonald’s?”, questionou.