
O ministro André Mendonça, relator do Caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), citou manifestações da Polícia Federal (PF) e da Procuradoria-Geral da República (PGR) ao autorizar a transferência do banqueiro Daniel Vorcaro para a Papudinha. Ele citou a corporação e o órgão para justificar a escolha do local, segundo a coluna de Igor Gadelha no Metrópoles.
No despacho, Mendonça afirmou que as duas instituições responsáveis pela persecução penal defenderam o 19º Batalhão da Polícia Militar no Distrito Federal, conhecido como Papudinha, como a unidade mais adequada para receber Vorcaro neste momento.
“Considerando as ponderações apresentadas pelas duas instituições responsáveis pela promoção da persecução penal (PF e PGR), verifica-se que, na atual conjuntura, a custódia do investigado no 19º Batalhão da Polícia Militar no Distrito Federal, conhecido como ‘Papudinha’ revela-se a alternativa mais adequada dentre aquelas disponíveis”, escreveu o ministro.
Vorcaro está preso desde 4 de março. A decisão sobre a transferência ocorre enquanto a condução do Caso Master enfrenta divergências dentro do STF, especialmente do ministro Gilmar Mendes.

Mendonça nega vínculo entre transferência e delação premiada
Gilmar já reclamou de prisões de investigados usadas como forma de pressionar por delação premiada. Mendonça usou a decisão sobre Vorcaro para responder a esse tipo de questionamento, sem citar nominalmente o decano do STF.
“A imposição da medida é absolutamente dissociada de qualquer conjuntura relacionada à existência, ou não, de tratativas voltadas à eventual celebração de acordo de colaboração premiada”, afirmou Mendonça no despacho.
O relator também disse que a investigação apontou “risco concreto à integridade física” de Vorcaro, em razão da elevada exposição pública do caso, da natureza dos fatos apurados e da condição pessoal do banqueiro.
“Nesse sentido, a determinação de recolhimento em local compatível com tais peculiaridades não configura privilégio, distinção indevida ou tratamento favorecido, mas medida estritamente voltada à equalização dos bens jurídicos em disputa”, escreveu o ministro.
A movimentação ocorre depois de o empresário Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, relatar que agentes penais da Papuda o pressionavam a delatar. A Papuda também entrou na avaliação sobre possível custódia de Vorcaro.