Mendonça é sorteado relator de pedido de Lula para abrir sigilos com Flávio

Atualizado em 20 de outubro de 2026 às 22:31
André Mendonça
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. Foto: Adriano Machado/Reuters

O ministro André Mendonça, vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), foi sorteado relator da petição em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) autoriza a divulgação de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico, desde que Flávio Bolsonaro (PL) adote a mesma medida. A proposta também inclui familiares e empresas vinculadas aos dois candidatos. Com informações de O Globo e do UOL.

O pedido abrange informações dos últimos oito anos. Os advogados de Lula solicitaram que os dados fossem publicados antes de quarta-feira (21), pelo DivulgaCandContas ou por outra página de acesso público. Esse prazo integra a solicitação da campanha e não representa uma determinação judicial. A distribuição do processo a Mendonça também não significa que a abertura dos sigilos tenha sido autorizada.

No lado do presidente, a petição propõe incluir a primeira-dama, Janja Lula da Silva, e os cinco filhos: Lurian, Marcos Cláudio, Fábio Luís, conhecido como Lulinha, Sandro Luís e Luís Cláudio. A iniciativa foi formalizada nesta terça-feira no TSE e no Supremo Tribunal Federal, mantendo a condição de reciprocidade por parte do adversário.

Em relação à família Bolsonaro, o documento propõe a divulgação dos dados de Flávio, de sua esposa, Fernanda, dos pais, Jair Bolsonaro e Rogéria Bolsonaro, e dos irmãos Carlos, Eduardo e Jair Renan. Lula apresentou o desafio no debate da Band, no domingo (18), e voltou a cobrar uma resposta durante a agenda de campanha em São Luís, nesta terça-feira.

A proposta alcança ainda pessoas jurídicas das quais os candidatos sejam sócios ou administradores e empresas em cujas contas tenham poderes de gerenciamento. Lula identifica a L.I.L.S. Palestras, Eventos e Publicações, da qual é sócio, mas não administrador. Para Flávio, a petição menciona a sociedade individual de advocacia que leva seu nome, a All In One Corretora de Seguros, a Bravo Grafeno Tecnologia e Inovação e a Bolsonaro Digital.

Os advogados também citam a Alcazar Holdings, registrada na Ilha da Madeira, em Portugal, e ligada a Willer Tomaz. A inclusão se apoia em reportagens sobre documentos bancários analisados pela PF, que apontaram Flávio como “usuário master” de uma conta da companhia. O candidato contesta essa interpretação e afirma que a vinculação era indevida, razão pela qual teria sido solicitada sua retirada.

Segundo o secretário de Comunicação do PT, Éden Valadares, a condição busca submeter os dois candidatos à mesma exposição de informações. A campanha apresenta a iniciativa como um desafio de transparência na reta final da eleição. O material divulgado não informa decisão de Mendonça sobre o pedido nem adesão de Flávio à proposta.

Laura Jordão
Estudante de Sociologia e Política na Fundação Escola de Sociologia e Política; escrevo pelo Diário do Centro do Mundo!