
A campanha pela aprovação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) mobilizou ministros da própria Corte junto a senadores antes da sabatina marcada para esta quarta-feira (29). A articulação envolveu André Mendonça, uma mudança de posição de Gilmar Mendes e um encontro mediado por Cristiano Zanin. Com informações da Folha.
Magistrados avaliam que a ofensiva coordenada aumentou as chances de aprovação do advogado-geral da União, indicado por Lula para a vaga aberta com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso. A expectativa no Supremo é de votação apertada, mas favorável a Messias.
André Mendonça virou o principal cabo eleitoral de Messias no Senado desde a indicação, feita em novembro. A interlocução mirou especialmente a bancada evangélica, onde havia resistência ao nome do AGU. Embora tenham sido indicados por governos adversários, Mendonça e Messias têm em comum a atuação na AGU e a identidade religiosa.

Mendonça contou com o apoio de Kassio Nunes Marques para tentar convencer senadores de oposição de que Messias não integra a militância petista tradicional e poderia reforçar uma ala mais conservadora no Supremo, sobretudo em pautas de costumes, como aborto e drogas.
Gilmar Mendes, que inicialmente defendia Rodrigo Pacheco para a vaga no STF, mudou de posição na reta final e passou a apoiar Messias em conversas privadas e publicamente. Nas redes, o decano afirmou que críticas ao indicado ignoravam seu “currículo qualificado”, com experiência na administração pública e formação acadêmica.
A indicação de Messias havia frustrado aliados de Pacheco, entre eles o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Para driblar a dificuldade de uma conversa reservada, Zanin convidou Alcolumbre para jantar em sua casa, em Brasília, e depois perguntou se Messias poderia se juntar ao encontro, que também teve Pacheco e Alexandre de Moraes.
Messias pediu apoio a Alcolumbre, mas o senador não se comprometeu. Relatou apenas que o indicado seria tratado com respeito e que o rito da sabatina seria cumprido. A CCJ sabatinará Messias a partir das 9h; depois, o nome precisa passar pelo plenário do Senado, onde são necessários ao menos 41 votos.