Mendonça manda PF terminar relatório do Master e expor autoridades em 60 dias

Atualizado em 24 de fevereiro de 2026 às 16:35
O ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça. Foto: Carlos Alves Moura/SCO/STF

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do inquérito sobre o Banco Master, determinou que a Polícia Federal entregue o relatório completo sobre o caso em até 60 dias, incluindo a identificação de autoridades com foro privilegiado que possam estar envolvidas no esquema. O prazo foi estabelecido após reunião entre Mendonça e os investigadores, que detalharam o andamento das apurações.

O ministro também solicitou um levantamento completo do material apreendido, incluindo o conteúdo do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, principal alvo da investigação. Durante a reunião, foi discutido que, após o recebimento do relatório, Mendonça decidirá se o caso continuará sendo analisado pelo STF ou será enviado para a primeira instância.

O caso envolve menções a figuras de alto escalão, como o ministro Dias Toffoli, e líderes partidários, embora, até o momento, não tenha sido encontrada uma relação direta entre essas figuras e a fraude envolvendo a fabricação de carteiras de crédito consignado fraudulentas.

O receio de Mendonça é de que, ao transferir a investigação para instâncias inferiores, mais pessoas possam ter acesso a informações sigilosas, o que poderia resultar em vazamentos e comprometer o andamento do processo.

Polícia Federal durante a operação Compliance Zero. Foto: Divulgação

O ministro tem sido rigoroso quanto à proteção do sigilo nas investigações, determinando que os dados obtidos sejam compartilhados apenas com agentes diretamente envolvidos no caso, e que até os superiores hierárquicos da PF devem ser excluídos das informações.

Mendonça, que assumiu o caso após a saída de Toffoli devido a suspeitas de envolvimento com o banco, indicou que o desmembramento do processo não é recomendável neste momento, já que as apurações estão entrelaçadas e envolvem diversas frentes. Ele defende que a continuidade da investigação dentro do STF é essencial para assegurar a transparência e a legalidade do processo.

O ex-relator, Toffoli, havia se afastado do caso após a PF apontar uma possível suspeição devido a sua ligação com Vorcaro, embora tenha negado qualquer envolvimento com o banqueiro ou recebimento de dinheiro ilícito. O magistrado admitiu que participou do quadro societário da empresa Maridt, ligada ao esquema fraudulento investigado no caso Banco Master.

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.