
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), rechaçou a tese de que haveria favorecimento ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em decisões relacionadas ao caso Master. A avaliação interna é de que as críticas ganharam força em meio a disputas políticas e pressões no ambiente da Corte, segundo a coluna de Carla Araújo no UOL.
As manifestações surgiram após questionamentos sobre a ausência de operação similar envolvendo Flávio Bolsonaro, enquanto outros alvos, como Jaques Wagner (PT-BA), foram atingidos por buscas e apreensões. Mendonça alega que atua apenas a partir de pedidos formais encaminhados pela Polícia Federal.
Auxiliares do ministro dizem que, até o momento, não houve solicitação de diligências contra Flávio. Mendonça também alega que não há seletividade em sua atuação e que decisões são tomadas com base no material apresentado em cada caso.
Ele costuma afirmar que “pode deferir ou indeferir qualquer pedido levando em conta o seu material” com indicativos robustos ou não da necessidade de operação.

No entorno do ministro, a avaliação é de que críticas sobre suposto favorecimento são disseminadas por setores políticos e também por integrantes do próprio STF. Mendonça diz estar preocupado com tentativas de pressão institucional e risco de criação de cenários que possam ser usados para questionar sua atuação.
Ele também alega que já autorizou operações envolvendo aliados e ex-integrantes do governo Bolsonaro, como o senador Ciro Nogueira (PP-PI), o que é citado por sua equipe como exemplo de atuação sem alinhamento político. Auxiliares afirmam que eventuais pedidos futuros serão analisados com os mesmos critérios.
O ministro também reclama de tentativas de interferência no andamento de investigações. Segundo interlocutores, ele rejeita qualquer hipótese de “delação selecionada” ou acordos que envolvam proteção a autoridades, como teria sido sugerido em tratativas envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Em meio ao ambiente de tensão no STF, auxiliares afirmam que há um “fogo amigo” interno e divergências entre ministros. Mesmo assim, Mendonça afirma que suas decisões, incluindo recentes determinações envolvendo conteúdos ligados a Flávio Bolsonaro, são baseadas em critérios técnicos e não políticos.