
A decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que derrubou restrições impostas anteriormente no caso Banco Master e determinou a retomada de perícias e depoimentos foi interpretada como um movimento para limitar o acesso da cúpula de Andrei Rodrigues, diretor da Polícia Federal, às informações da investigação. No despacho da última quinta-feira (19), o novo relator restabeleceu o que chamou de “fluxo ordinário” das apurações, recolocando a equipe técnica responsável no centro do processo.
De acordo com informações de Julia Dualibi, do G1, o ponto central da decisão trata do controle sobre o compartilhamento de dados sensíveis. Mendonça determinou que “apenas as autoridades policiais e agentes diretamente envolvidos na análise e condução dos procedimentos” tenham acesso às informações do inquérito.
Ao delimitar o alcance do sigilo, o ministro estabeleceu que o acesso deve ficar restrito aos investigadores formalmente designados, excluindo autoridades que não participam diretamente da apuração, como o diretor da PF, que o ministro considera aliado do presidente Lula (PT).
“Somente as autoridades policiais e agentes diretamente envolvidos na análise e condução dos procedimentos reciprocamente compartilhados é que devem ter conhecimento das informações acessadas, o que lhes impõe o dever de sigilo profissional, inclusive em relação aos superiores hierárquicos e outras autoridades públicas”, afirmou Mendonça no despacho.
Após a decisão, o deputado federal Rogério Correia (PT-MG) classificou a decisão como um “absurdo”, explicando que o ministro indicado ao Supremo por Jair Bolsonaro está tentando comandar a PF sem fazer parte dela, e que “o crime organizado festeja”.
“Interferência na hierarquia da PF, decisão é terrivelmente inconstitucional e enfraquece a PF, que aliás, corre riscos de novo, com a decisão de Hugo Motta, nomeando novamente o Derrite para relatar o PL antifacção”, escreveu.
Absurdo, interferência na hierarquia da PF, decisão é terrivelmente inconstitucional e enfraquece a PF, que aliás, corre riscos de novo, com a decisão de Hugo Motta, nomeando novamente o Derrite para relatar o PL antifacção. O crime organizado festeja. https://t.co/KI0RtJNHn2
— Rogério Correia (@RogerioCorreia_) February 20, 2026
A interpretação prática é que delegados responsáveis não precisam compartilhar dados com superiores que não estejam vinculados ao caso, inclusive integrantes da direção-geral da corporação.
O ministro também enfatizou que áreas administrativas da Polícia Federal devem se limitar a garantir os meios necessários para o andamento das investigações, sem acesso ao conteúdo das apurações.
“Em relação a outras áreas e autoridades da Polícia Federal que não estejam diretamente incumbidas das atividades investigativas, ficam restritos o acesso às informações e andamento das investigações, razão pela qual as autoridades administrativas e estruturas correspondentes devem apenas prover os meios e recursos humanos e materiais necessários ao bom, célere e efetivo andamento das investigações”, declarou.
Nos bastidores, a medida é vista como um recado institucional sobre a condução de investigações sensíveis e o fluxo de informações dentro da corporação. Pessoas com conhecimento do caso afirmam que a decisão também reflete preocupações com o vazamento antecipado de dados estratégicos e com a necessidade de preservar a autonomia da equipe responsável pela apuração.
