“Meninas de 10 a 15 anos eram levadas a ele para ser estupradas”: o relato de uma sobrevivente de Stroessner, ídolo de Bolsonaro

Em Itaipu para a inauguração de uma obra, Bolsonaro rendeu tributo a um ditador paraguaio morto em 2006 em Brasília, onde estava exilado.

“Isso tudo não seria suficiente se do lado de cá não houvesse um homem de visão, um estadista, que sabia perfeitamente que o seu país só poderia progredir se tivesse energia. Então aqui também a minha homenagem ao nosso general Alfredo Stroessner”, disse.

Julia Ozorio no sítio onde foi mantida como escrava sexual aos 12 anos

Stroessner ficou no poder durante 35 anos. Sua tirania foi corrupta, homicida e pervertida. 

O monstro cultuado por Jair (mais um) era, inclusive, pedófilo.

Abaixo, o relato de Julia Ozorio publicado no site Ultima Hora:

Julia Ozorio, que aos 12 anos foi raptado de sua casa em fevereiro de 1968 pelo coronel Peter Julian Miers e levada para um sítio em Laurelty [cidade vizinha a Assunção], onde foi mantida como escrava sexual por dois anos, é uma das poucas que se atreveram a depor perante a Comissão da Verdade e da Justiça sobre o horror que sofreu.

Ela escreveu sua história em um livro intitulado “Uma rosa e mil soldados”.

Em um testemunho em vídeo, gravado no Museu Virtual Meves (“Memória e Verdade do Stronismo”), Julia diz que o coronel Miers, então comandante da escolta especial presidencial, mantinha um harém com várias meninas com idades entre 10 a 15 anos e “as mais graciosas eram levadas a Stroessner para serem estupradas”. (…)

Os depoimentos sugerem que houve várias casas para onde foram levadas as meninas seqüestradas de áreas rurais e mantidas em haréns à disposição do ditador e de vários líderes do regime.

Uma delas era a casa de Laurelty, de que o coronel Miers cuidava. Julia Ozorio diz que quando chegou em 1968, havia outras quatro garotas que também estavam trancafiadas.

“Os militares caçavam garotas e as arrancavam de suas casas em troca de posições em instituições públicas para seus parentes. Ninguém podia dizer nada. Nós fomos estupradas sem piedade. Eles não queriam ninguém com mais de 15 anos porque falavam que já tinham ossos duros”, diz.

Figueiredo e Stroessner em Itaipu em 1982: ídolos de Bolsonaro

No sítio de Laurelty elas eram mantidas em cativeiro por um guardas armados. O ditador Stroessner aparecia com freqüência e eram colocadas à sua disposição jovens virgens para serem estupradas.

“Havia pilhas de fotos de meninas nuas ou usando vestidos curtos que serviam para eles escolherem suas vítimas. Eles tiraram fotos parecidas de mim”, diz ela.

Ela teve que fugir do país quando a libertaram após completar 15 anos, com ameaças de assassinato se não permanecesse em silêncio.

A casa de Popol

Outro dos “haréns” de moças disponíveis para o ditador funcionava numa casa no bairro de Sajonia, dirigida pelo tenente-coronel da reserva Leopoldo Perrier, mais conhecido como Popol Perrier.

Naquela casa ficavam “as meninas trazidas especialmente do interior do país, que estavam prontas para ser oferecidas como delícia ao presidente e sua corte”, destaca o jornalista e historiador Bernardo Neri Farina em seu livro “O Último Supremo”.

Ali, um dia, a Sra. Malena Ashwell, filha do conhecido historiador Washington Ashwell, teve que ajudar uma menina que estava correndo na rua, toda ensanguentada após um estupro cruel, conforme relatado pelo colega historiador Aníbal Miranda em seu trabalho “Stroessner”.

Intervir nesse incidente e denunciá-lo em um pequeno círculo custou a Malena Ashwell ser perseguida pelo governo. (…)

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