Menino vítima de estupro coletivo ficou dois dias escondido em carro após o crime

Atualizado em 5 de maio de 2026 às 16:55
Viatura da Polícia Civil de SP. Foto: Divulgação

O menino de 10 anos vítima de estupro coletivo em São Miguel Paulista, na zona leste de São Paulo, está com medo, triste e confuso após o crime ocorrido em 21 de abril. Segundo relato da mãe à Folha, a criança temeu ataques contra familiares após o caso se tornar público, o que levou a família a deixar o bairro onde vivia.

De acordo com a investigação, quatro adolescentes foram apreendidos por ordem judicial e um adulto, Alessandro Martins dos Santos, de 21 anos, foi preso no interior da Bahia. Ele deve ser transferido para São Paulo nesta terça-feira (5). As defesas dos suspeitos não foram localizadas.

A mãe afirmou que o filho desapareceu por dois dias após o crime e foi encontrado dentro de um carro abandonado, onde se escondeu por medo. “Só depois que fizemos um boletim de ocorrência de desaparecimento foi que descobrimos o paradeiro dele. Meu filho ficou escondido num carro abandonado, com medo que os criminosos fossem colocar fogo na nossa casa”, disse.

Ela também relatou ameaças feitas pelos suspeitos. “Os acusados disseram que iam sumir com ele caso alguém descobrisse a verdade”, afirmou. Segundo a mãe, o menino evita falar sobre o ocorrido e demonstra sinais de abalo emocional.

“Meu filho está com medo, evita tocar no assunto, está triste e confuso. Ele só diz que ficou com medo dos criminosos fazerem maldades com a nossa família”, declarou.

Alessandro Martins dos Santos. Foto: Divulgação

A família residia em uma área de alta vulnerabilidade. O bairro já havia sido cenário de um crime semelhante há oito anos, quando uma menina de 3 anos, irmã do garoto, foi abusada e morta junto a outra criança da mesma idade. Dois homens foram identificados e presos pelo caso.

O caso recente trouxe de volta esse histórico. “Perdemos minha enteada para a violência sexual. Ela só tinha 3 anos quando foi brutalmente violentada. Nada trará ela de volta e já se passaram oito anos. Agora, acontece com o irmão dela. Meu filho teve sorte de estar vivo”, afirmou a mãe.

A delegada responsável pelo caso, Janaína da Silva Dziadowczyk, informou que as vítimas foram atraídas ao local pelos suspeitos. “As vítimas foram atraídas para esse imóvel porque eles [suspeitos] passaram e falaram ‘entra aqui que tem uma linha’”, afirmou.

Segundo a família, os adolescentes suspeitos eram conhecidos da criança e conviviam no mesmo ambiente. A mãe relatou que o dia do crime começou de forma rotineira, com escola e brincadeiras no bairro, antes da abordagem dos envolvidos.

A investigação teve início a partir de imagens gravadas pelos suspeitos e compartilhadas nas redes sociais. De acordo com a polícia, os registros mostram a participação dos adolescentes e do adulto no crime.

O caso é apurado pelo 63º Distrito Policial (Vila Jacuí). O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Nico Gonçalves, comentou as evidências reunidas. “As imagens e os gritos ficaram no meu subconsciente”, disse.

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 28 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.