Mentira, verdade. O Mito Mitômano e o País sob ataque. Por Teju Franco

Bolsonaro, batendo continência para a bandeira dos EUA, lidera o ataque ao Brasil

O país está sob p ataque da mentira, em diversas áreas – na inteligência, na economia, na produção, no estado de direito, na liberdade de imprensa, nos direitos e garantias individuais, na educação, na ciência, no meio ambiente. Tudo que compõe e afirma a existência de uma nação está sob ataque. É uma regressão ao estágio colonial, colônia de apoio, de extração. A vítima é a soberania, a estratégia é a mentira, a mentira que chama a verdade de mentirosa, baseada apenas na “opinião” do mentiroso. É o falso juiz-ladrão, o falso procurador, os tribunais do “sim senhor”, o falso jornalismo, as eleições do fake news, é o presidente e seu espírito mitomaníaco caindo, como uma luva, para essa estratégia de ataque, destruição e saque.

O presidente mentiroso diz a verdade baseado em seu palpite e sua necessidade de neutralizar os resultados desastrosos de seu governo. Os números da economia, dos institutos técnicos, dos órgãos de controle mentem, os tribunais de conta mentem, o mentiroso nega tudo, acusa as pesquisas, os números de mercado, até as fotografias de satélite de serem ideológicas. Só o seu palpite, sem base alguma fora da ideologia, é verdade. E no mundo invertido do fascismo, aquilo que só se afirma por ideologia é vendido como não ideológico. Parece uma estratégia infantil, e é, mas funciona quando se tem o poder nas mãos. Tudo é infantil e primário nesse modo de governar, parece absurdo, estúpido, mas não é.

A estratégia é criar um estado de permanente confronto ideológico. Toda semana, frases infelizes, atos arbitrários criam temas sobre os quais debatemos. Enquanto isso, se desmonta o estado na calada da noite, em todas as suas instâncias, de maneira voraz. Nesse ritmo que temos visto, em pouco tempo não vai sobrar nada.

O ex-candidato Haddad afirmou que o governo Bolsonaro não mostrou a que veio até agora. Mostrou sim, veio para destruir, a destruição é rápida e agressiva. O governo Bolsonaro veio para implodir os pilares básicos em que se fundamenta uma nação. O que nunca se leva em conta nessas estripulias são os interesses nacionais, estes não balizam nenhuma ação governamental, pois esse governo governa para fora, atende a interesses de outra nação.

Enquanto isso, o liberalismo radical e irresponsável na figura de Paulo Guedes governa.

Os Bolsonaros estão na linha de frente, mas é Guedes que desmonta e fatia o estado em sua retaguarda. Assim se vão os direitos e garantias, as leis trabalhistas, a seguridade social, o petróleo, as florestas. Nós estamos sendo rendidos, liquidados por uma família de desequilibrados, desprovida de qualquer espírito democrático, capazes de tudo para realizar seus únicos objetivos de governo; curvar o país aos interesses dos EUA e implantar um estado autoritário de aparência democrática. Como o sistema de justiça está acovardado e refém, pois foi parte disso, eles estão se fortalecendo e não há, nesse momento, nenhuma instituição que ouse enfrentá-los.

A imprensa oficial tanto mentiu, por tantos anos, que acabou refém da mentira. O estado que a mídia oficial criou durante todos esses anos de manipulação jornalística resultou em um ambiente em que verdade e mentira se confundem. Quando se tenta voltar a falar a verdade, ninguém mais acredita, o presidente a rebate com qualquer argumento infantil sem pé nem cabeça, e isso basta.

A verdade da Vaza Jato é escandalosamente acessível, escancarada, tudo ali se comprova pelas próprias atitudes subsequentes aos diálogos, mas ela parece não bastar, não ser tão eficaz quanto deveria, foram tantos escândalos de mentira fabricados esses anos todos em volta de Lula e seu partido que agora os escândalos de verdade como da família Bolsonaro e o conluio farsesco da Lava Jato soam do mesmo jeito, como se fossem mais do mesmo.

— É mentira, é verdade. Quem sabe?

Estamos no universo de quem mente mais, e o jornalismo da Globo, principal responsável por essa degradação, perde dos dois lados nesse momento, perde para a verdade de Glenn Greenwald, e perde para as mentiras da família Bolsonaro. A Globo perdeu a narrativa sobre a verdade e sobre a mentira nesse momento e parece confusa, sem saber o que fazer.

Enquanto isso, a recessão se aprofunda, o desemprego aumenta, a produção bate recordes negativos, o país se desindustrializa da noite para o dia, o ensino público é desmontado junto com a autonomia universitária, o desmatamento atinge números alarmantes, o crescimento econômico inexiste, a seguridade social se vai com a destruição do sistema previdenciário, as leis de mineração são abolidas, a Petrobrás é desmontada com seus campos e refinarias entregues a estrangeiros, a violência policial nunca matou tanto como nesses seis meses, os números trágicos dessa triste e irresponsável aventura são apresentados ao presidente, e ele dá de ombros, fala uma bobagem e conclui:

— É mentira, precisamos rever esses métodos.

O sistema de justiça aparelhado persegue inimigos políticos, condena sem provas, alivia para amigos, persegue jornalistas, encoberta criminosos, laranjas, assassinos fakes, juízes, procuradores fakes em busca de fama e fortuna, e, mesmo assim, todos se mantêm, desmoralizados, inimputáveis, indiferentes a todas as suas falcatruas expostas semanalmente como um memorial da desgraça que se abateu sobre o país. A farsa conhecida como Lava Jato, em nome do combate à corrupção, alçou uma família de milicianos ligados a uma organização conhecida como “Escritório do Crime do Rio das Pedras” à presidência da república, mas…

— É mentira

Bolsonaro não se constrange com os números pífios de seu governo, aliás, nada parece constrangê-lo.

— É mentira, é verdade, quem manda sou eu.

Quando as instituições desmoralizadas, esculhambadas, caírem em si, isso será uma verdade, elas não terão poder nenhum sobre o tiranete que criaram, serão engolidas pela criatura.

A verdade mesmo, parece que ninguém, nesse momento, quer encarar no espelho da história: como chegamos aqui, e como sairemos daqui.

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Teju Franco é jornalista, cantor e compositor.

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