Mercadante alerta que fundos de investimento podem ser o próximo escândalo após caso do Banco Master

Atualizado em 24 de maio de 2026 às 17:10
Aloizio Mercadante, presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante (PT), afirmou que o caso do Banco Master, de Daniel Vorcaro, liquidado em novembro pelo Banco Central (BC), é “o maior crime financeiro da história do Brasil”. Segundo ele, “a gestão anterior do BC, liderada por Ilan Goldfajn entre junho de 2016 e fevereiro de 2019, não permitiu que Vorcaro atuasse como banqueiro relevante”.

Conforme Mercadante, quem autorizou “foi a direção anterior à da atual”, ou seja, comandada por Roberto Campos Neto, a partir de fevereiro de 2019 já no governo de Jair Bolsonaro, gerando omissão e conivência, com dois diretores atualmente usando tornozeleira eletrônica.

Mercadante detalhou que o escândalo impactou diretamente o Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que precisou cobrir R$ 52 bilhões. “Deste total, 18% é o Itaú, 18% é o Bradesco, 15% saem do Banco do Brasil, outros 15% saem da Caixa, e assim vai impactando o sistema financeiro”, afirmou, acrescentando que o BC precisou liberar depósitos compulsórios, contrariando a política monetária de combate à inflação.

O presidente do BNDES alertou que fintechs e fundos de investimento podem ser “instrumentos de lavagem de dinheiro”, com operações abaixo do radar do BC. Ele citou que fundos sem controle adequado, como o Reag, criam pirâmides financeiras com valores fictícios em balanços. Segundo Mercadante, BC e CVM precisam de mais autonomia e valorização dos servidores para coibir crimes financeiros de forma rápida e eficiente.

O chairman do BTG Pactual, André Esteves, afirmou que não se pode aceitar que “um banco inexpressivo tenha causado um rombo de R$ 50 bilhões no Fundo Garantidor de Crédito (FGC)”, além de R$ 12 bilhões no BRB e R$ 4 bilhões em institutos de previdência. Ele destacou que a falta de clareza nos mecanismos de controle permite a criação de mercados paralelos fora da supervisão formal.

O banqueiro André Esteves – Foto: Wikipédia

Segundo Esteves, o problema maior está na possibilidade de entrada do crime organizado no setor financeiro formal, gerando riscos à economia. Questionado sobre o interesse do BTG na aquisição do Banco Master, o executivo negou falha, afirmando que o banco se posicionou quando percebeu que a situação estava fora de controle e ressaltou que a atuação visa proteger a integridade do mercado.

Mercadante concluiu que é necessária uma reestruturação das instituições reguladoras e que o sistema financeiro precisa colaborar na solução dos impactos. “CVM e BC não podem continuar como estão. Precisa dar autonomia e poder. Em última instância, é o sistema financeiro que paga a conta”, afirmou, reforçando a necessidade de fiscalização sobre futuros fundos e instrumentos financeiros de risco.