Mercadante defende ampla unidade da esquerda contra governo Bolsonaro

Aloizio Mercadante em entrevista ao DCM. Foto: Reprodução/YouTube

Publicado originalmente no site da Fundação Perseu Abramo (FPA)

Em entrevista ao DCM nesta terça-feira (5), o ex-ministro e atual presidente da Fundação Perseu Abramo, Aloizio Mercadante, defendeu uma ampla unidade da esquerda e do campo progressista contra Bolsonaro ao ser indagado sobre a decisão do PT de apoiar o parlamentar Baleia Rossi (MDB) à Presidência da Câmara dos Deputados.

Para ele, diante dos imensos desafios neste ano de 2021, o desempenho das oposições no Parlamento é fundamental. “Não podemos subestimar o governo Bolsonaro. Com o avanço crescente do coronavírus, a saturação prevista na rede pública de saúde e uma situação social dramática, com 14 milhões de pessoas na miséria, o fim do auxílio emergencial e sem nenhum planejamento para enfrentamento da pandemia, temos de derrotar Bolsonaro, se possível antes de 2022. E manter na pauta o tema Fora Bolsonaro”, afirmou.

Mercadante disse que o grande desafio histórico é construir um processo semelhante à Frente Ampla do Uruguai, ao Congresso Nacional Africano, de Nelson Mandela, ou mesmo, na engenharia política, algo como a “Geringonça”, em Portugal. Uma articulação orgânica, que tenha os partidos de esquerda como pilar estruturante, mas que incorpore sindicatos e movimentos sociais: CUT, MST, MTST, Contag e ainda personalidades independentes. “Precisaremos de muita unidade para enfrentar e conter a extrema direita”, disse.

“Com a cláusula de barreira em 2022, o PCdoB e o Psol tendem a deixar de acessar o fundo partidário e utilizar o tempo de tevê. Eles necessitam de apoio e aliança para a própria sobrevivência. O PT precisa liderar este processo histórico, olhando para 2022. Com 27 estados, governadores, vices, senadores e suplentes, temos muito espaço político para compor alianças. O que não for possível no primeiro turno, estará assegurado no segundo. Mas deve ser um processo que revitalize e aproxime as militâncias, para muito além das próximas eleições”, destacou.

E lembrou ainda a importância de garantir a presença dos partidos da oposição na presidência das comissões e na relatoria dos projetos, algo essencial para barrar projetos anti-populares e pautar outro de interesse do povo brasileiro. Ele citou a aprovação do Orçamento de Guerra e do auxílio emergencial de seiscentos reais como resultados positivos de alianças no Parlamento, pois a oposição sozinha tem apenas 130 votos. “O Congresso conteve muitas medidas desastrosas desse governo, inclusive na pandemia, um terço apenas das medidas provisórias foi aprovado”, observou.

O ex-ministro argumenta que o foco principal da esquerda deve ser reconectar seu projeto histórico com as periferias, o precariado, a multidão de desempregados, desalentados e desesperados que vai emergir de forma dramática com o fim do auxilio emergencial, combinado com o recorde de desemprego e o aumento do custo de vida, especialmente na alimentação.

“A vacina já e para todos é fundamental também para que a luta popular volte a ocupar as ruas. Devem-se fortalecer todas as frentes a batalha contra a pandemia e o negacionismo. Para enfrentar o obscurantismo deste governo de extrema direita, aprofundar o debate programático iniciado com o Plano de Reconstrução e Transformação do Brasil seria um início promissor”, concluiu.

Suspeição de Moro e Lula Livre

Durante a entrevista, Kiko Nogueira comentou que em fevereiro ou março será julgado o caso sobre a suspeição do ex-juiz da Lava Jato e ex-ministro da Justiça do governo Bolsonaro, Sergio Moro, e que já ocorrem tentativas de inviabilização dos direitos políticos do ex-presidente Lula pelos porta-vozes da direita na imprensa tradicional.

Sobre o caso, Mercadante afirmou que o PT jamais abrirá mão da consígnia Lula Livre, por tudo o que ele representa como maior liderança popular do Brasil. “Como o Supremo vai decidir ninguém sabe, mas alguns sinais são muito positivos, como a liberação do acesso aos áudios para mostrar que não houve imparcialidade do juiz. O Lula tem direito de usar isso. O código penal diz que quando o juiz não é imparcial o processo deve ser anulado. E nenhum jurista importante, dentro ou fora do Brasil, ou alguém que tenha conhecimentos jurídicos básicos defende esta condenação injusta e insustentável”, afirmou.

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